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Apresentando Mariano Loiácono

Desta vez, Paulo Cesar Nunes apresenta aos amantes do jazz, uma das maiores revelações do jazz argentino contemporâneo: o trompetista Mariano Loiácono, que em 2008 lançou seu primeiro cd: I knew it.

05/02/2010 - Paulo Cesar Nunes

Muito cedo, desde os oito anos, o trompetista Mariano Loiácono começou a estudar música clássica, ainda em Cruz Alta, o povoado onde nasceu. Depois foi para Rosário continuar seus estudos , e daí a Buenos Aires. De volta a Rosário ingressa na Orquestra Sinfônica Juvenil da Universidade Nacional de Rosário, como primeiro trompetista. O músico adentra a música lírica, integrando montagens de óperas importantes. Então, como muitos outros mas ainda assim diferente de muitos dos seus contemporâneos na Argentina, Mariano Loiácono vem do mundo da música clássica, uma tradição muito importante na Argentina. Mas resolveu estudar harmonia e improviso com um egresso de Berklee, Julio Kobryn, que o recomendou estudar com um gigante, o trompetista Juan Cruz de Urquiza, também egresso de Berklee, e agora o jovem músico já estava mergulhado no mundo do jazz.

Loiácono vem ascendendo numa carreira bastante sólida, com sua música cerebral, elaborada, e ao mesmo tempo improvisada, totalmente compartilhada com seu indefectível quinteto, integrado por músicos de generosa produção nos últimos anos na Argentina. Temos assistido concertos de muita criatividade de cada um deles, em diversas formações e estilos. São eles Miguel Tarzia, na guitarra, Ramiro Flores, no sax tenor, Oscar Giunta, na bateria, e um atrevido Mariano Otero empunhando um baixo elétrico ( !!). Estes músicos gravaram um disco muito elogiado pela crítica – I Knew It... - No disco ainda aparecem como convidados Gustavo Musso, no tenor, e o guitarrista Juan Pablo Arredondo. Fizemos contato com ele e foi muito atencioso em responder algumas perguntas.

Entrevista

PCN -
Como tantos outros músicos ao redor do mundo você começou estudando música clássica, inclusive tocou em orquestras sinfônicas. O que você leva contigo desta época?
ML – Da minha experiência com orquestras e a com a música clássica eu tenho muitos aspectos positivos, e posso enumerar alguns como: a leitura musical, o foco que se faz no som, a afinação, o fato de tocar ouvindo muito os outros instrumentos ou seguir a um condutor.

PCN - Como surgiu o jazz na sua vida?
ML – O jazz começou a me interessar devido a um festival que acontecia no meu povoado (Cruz Alta), ao qual todos os anos se dirigiam músicos, a tocar e a improvisar. Me veio a inquietação de entender o que era aquilo, tocar sem que a música esteja escrita.

PCN - Que influências você gosta de reconhecer em seu trabalho?
ML – Creio que a música onde eu navego está muito ligada com a essência do hard bop, admitindo que tem momentos mais contemporâneos mas sem descuidar das formas tradicionais.

PCN - O teu disco (I Knew it...) é muito aclamado, e em todos os shows o grupo vem registrando forte impressão do público e da crítica. Se nota o prazer que vocês tem em tocar esta música, mas, como foi o processo de criá-lo, de gravá-lo?
ML – O processo pré gravação foi muito curto, só havíamos tocado uma vez ao vivo e ensaiado umas duas vezes mais. Chegamos ao estúdio com muita confiança e sabendo que deveríamos liberar uma linguagem clara e honesta para concordar com o que a música requeria. Tocamos umas duas tomadas de cada tema e foi bem. O disco me deixou satisfeito no lado pessoal porque soa como um concerto ao vivo, me refiro ao modo com que foi tocado, soa espontâneo. Foram duas sessões separadas por cinco meses.

PCN - A produção discográfica no seu país é muito generosa, muitos e muitos discos de jazz tem sido lançados por músicos argentinos nos últimos dez anos. O que está ocorrendo: é um movimento dos músicos? A cultura nacional está acompanhando? (é muito conhecido o gosto argentino pelo jazz...)
ML – Creio que existe um grande movimento de músicos na Argentina neste tempos, e isso produz essa quantidade de discos. Se bem que vários deles não pertencem ao que eu considero jazz, se posso encaixá-los na música contemporânea ou progressiva. Isto não significa que eu não goste ou não pareça interessante. A cultura na Argentina sofre um pouco pelo consumismo mundial mas sempre se mantém em pé graças a alguns que não cogitam a opção de se render!

PCN - Mariano, te parabenizamos por sua música, pelo sucesso! Esperamos te ouvir em breve!
ML – Muito obrigado pelo interesse e pela chance de nos divulgar no Brasil. Abraços a todos!


Discografia

I Know It… - Bau Records (2008)
E participação nos discos Tres, e Cu4tro, de Mariano Otero

Site
www.myspace.com/marianoloiacono

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