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Felipe José: seus instrumentos e suas muitas artes

Um dos vencedores da 8ª edição do prêmio BDMG-Instrumental, o violonista mineiro já integrou a "Itiberê Orquestra Família", na cidade do Rio de Janeiro, gravou em 2013 "Circvlar Mvsica", integra o grupo Coletivo Distante e participa ativamente da cena instrumental mineira e brasileira.

Felipe José, só e com Pablo Pasini; André Rocha, Antônio Loureiro e Rafael Martini; Di Souza e Gustavo Amaral.

06/12/2015 - Wilson Garzon

Wilson Garzon - Sobre sua formação musical, em São João de Rey e BH, quais foram seus primeiros instrumentos? Porque se graduar em Composição?
Felipe José - Pois bem, minha formação musical começou em Matozinhos-MG, aos 11 anos de idade, tocando trompete. Sou músico de banda, fui iniciado no modelo das bandas do interior de Minas: teoria e prática já aliadas desde o início. Aos 15 fui pra São João (largando já o trompete), onde estudei Violoncelo, Flauta e Violão (e onde posteriormente lecionei Violoncelo e Contrabaixo). Quando fui prestar vestibular fiquei na dúvida sobre qual instrumento e acabei decidindo pela formação em Composição, o que me trouxe um aprendizado de música mais amplo... e fui me tornando compositor aos poucos - ainda estou em fase de composição :-)

WG - Em relação ao projeto 'Ramo' foi reunir amigos para formar uma 'Árvore'? Acredita que ele foi bem sucedido?
FJ - Considero o grupo RAMO um projeto muito bem sucedido, um encontro feliz de jovens criativos, ávidos por fazer boa música. O início do grupo marca um período significativo pra mim, quando optei por sair da Itiberê Orquestra Família e retornar a Minas... de certa forma foi meu amparo musical nesta decisão. Com o passar do tempo, o grupo trazia consigo a possibilidade palpável da realização de nossas ideias musicais, além do amadurecimento musical que somente a prática continuada de um mesmo grupo de pessoas permite. O grupo esteve ativo entre 2006 e 2010.

WG - Você optou em ser multi-instrumentista quando estava no Itiberê família Orquestra? Participou na gravação de cd(s)/vídeo?
FJ - Sobre ser multinstrumentista, não tive muita opção. Estive desde o início envolvido com vários instrumentos (até os 14 já tocava trompete, flauta doce e violão). Na Itiberê Orquestra Família eu tocava principalmente violoncelo, mas também violão, flauta e alguma percussão. Participei da gravação e turnê do disco 'Calendário do Som', com músicas do livro de Hermeto. Tocamos em todo o sudeste e sul do Brasil, além de Salvador, Uruguay e Argentina... estive na IOF entre 2005 e 2006.

WG - Qual a relação do jazz com a música espontânea do 'Coletivo Distante'? Quem faz(ia) parte desse seu projeto?
FJ - O Coletivo Distante é um grupo oriundo da minha pesquisa de mestrado, que conclui em 2013. Eu estudei prática de improvisação coletiva, focando principalmente num jogo musical (Game Piece) chamado COBRA (1984) do compositor John Zorn, judeu novaiorquino multifacetado que tem como bagagem, dentre outras coisas, bastante jazz e free jazz.

O Coletivo, no início um grupo de alunos/amigos dirigidos por mim para a prática da minha pesquisa, aos poucos foi se configurando como um grupo de músicos interessados em livre improvisação, aberto a interação com outras artes e à experimentação. Estamos ativos desde 2013.

WG - Em 2013 você lança seu primeiro trabalho solo "Circvlar Mvsica". Qual é o conceito que norteou esse projeto? Quem participou das gravações? Destaque a presença do Mehmari na produção do cd.
FJ - O 'Circvlar Mvsica' é um disco caseiro, feito despretensiosamente por mim mesmo, gravando, mixando e tocando todos os instrumentos. O André Mehmari me deu o presente de masterizar o disco, tendo a sensibilidade de manter a sonoridade 'caseira'.

O conceito do disco é muito simples, por isso difícil pra eu mesmo explicar. São músicas que de alguma forma se desenvolvem de maneira circular, cada uma a seu modo. Muita gente acredita que eu fiz o disco depois de uma viagem ao Oriente (no final de 2012), mas nesta viagem o disco já estava gravado. De todo jeito, as influências ali presentes são muito variadas, vão desde música oriental à bossa nova, livre improvisação, UAKTI, Hermeto Pascoal...

WG - Das oito composições do Cd, sete são de sua autoria. Conte-nos um pouco sobre cada uma delas (época em que foi criada, conceito).
FJ -
1 - Valsa Campeã (2012) - uma homenagem ao Hermeto. Uma valsa sóbria, porém cheia de cores, cuja introdução e coda são a mesma coisa.
2 - C I D A D E (2012) - Surgiu de maneira inesperada, na forma de um estudo de arpejos no violão. Tem algo interessante em relação ao tempo, é a música mais rítmica do disco. Também, a única do disco que tem voz. De certa forma, ela faz referência ao poema 'cidade, city, cité' do Augusto de Campos. Estou trabalhando num videoclipe para esta música.
3 - NoiteDia (2011) - a de processo mais simples: 1 take de violão, 2 takes de cântare (pequena harpa infantil) + um temple bell.
4 - Jabuti (2012) - um tema em 5. Um motivo melódico muito simples, continuamente rearmonizado, com alguns coloridos instrumentais interessantes. Arranjado e orquestrado de maneira 'circvlar'.
5 - Lídia - música que o Elísio Pascoal fez pra minha filha em 2010 - adoro essa música.
6 - MARCO (2011) - homenagem ao Marco Antônio Guimarães, fundador do UAKTI. É uma música de grande alcance, uma canção com abertura pro inesperado.
7 - Julho/Circulatio (2012) - dois temas de caráter contrastante, que nasceram juntos e acabaram se tornando irmãos inseparáveis. São os mais simples do disco, e que tem mais claramente a forma circular/espiralada. É a única faixa em que toco guitarra e bateria (e outros instrumentos), e tem uns cantos de pássaro gravados na fazenda do meu pai. (Esses mesmos 2 temas irão sair no disco gravado pelo grupo Marimbaia, em 2016).
8 - Chuvento (2011) - música feita no chuvoso carnaval de 2011. Tem uns caminhos harmônicos bem arrojados. Para existir basta somente um violão e uma chuva de fundo.

WG - Hoje, continua desenvolvendo o mesmo trabalho ou está pesquisando novas propostas musicais? Que projetos no Brasil ou no exterior pretende participar?
FJ - Estou sempre pesquisando música e volta-e-meia atrás de novas propostas musicais.
Atualmente estou com um quinteto instrumental que conta com grandes amigos multinstrumentistas de BH (Paulim Sartori, Edson Fernando, Yuri Vellasco, Ricardo Passos), projeto novo e cheio de frutos por surgir!

À parte da atividade intensa como músico em BH, tenho buscado desenvolver alguns registros, pesquisas e novas propostas musicais na cidade de São João del Rei. Além disso, me interesso por realizar residências artísticas, acho muito saudável pro meu tipo de envolvimento com o trabalho, e isso tem acontecido ocasionalmente, dentro e fora do Brasil.

WG - Que músicos / grupos você destacaria no cenário atual da música instrumental brasileira?
FJ - Gosto muito da cena belorizontina, há qualquer coisa já fermentada e remexida na música feita na cidade que me agrada. Dentre o que realmente conheço do cenário brasileiro atual (muito pouco), posso dizer que o trabalho do Rafael Macedo, Vintena Brasileira (André Marques) e Rafael Martini são muito dignos de atenção.

INTERNET

Sesc Instrumental Brasil

Felipe José

Coletivo Distante

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