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Um jazzista no cruzeiro de rock progressivo

Neste mês de novembro, me juntei a amigos de São Paulo e fomos para Miami embarcar no "Cruise to The Edge 2015", o cruzeiro que tem a banda inglesa Yes como anfitriã, com tudo que isso significa: shows majestosos da banda, encontros exclusivos para coquetel e fotos, e até exposição das obras de Roger Dean, o artista responsável pela arte e logo deste ícone do rock. Mas é claro que o evento é um mega festival com muito mais atrações e vamos tentar contar um pouco do que presenciamos a bordo do NCL Pearl, navio especializado em eventos musicais.

Yes, Steve Howe, Martin Barre, Nektar, Linda Odinsen, PMF, Caravan, Anglagard, Steve Hogarth, Alan Holdsworth e Paulo Cesar & Linda.

04/12/2015 - Paulo Cesar Nunes

1º dia - Domingo 15/11

No teatro Stardust, o anfitrião Yes fez a sua primeira apresentação. No telão, antes da entrada da banda uma bela homenagem ao fundador Chris Squire, falecido este ano. Com sua costumeira competência e repertório irrepreensível, o Yes apresentou um ex-membro, Billy Sherwood, tocando o baixo no lugar de Squire. OK, sempre falta algo da preferencia da infinidade de adeptos desta lendária banda mas foi um desfile bastante abrangente do que se espera deles, ainda que faltem também o Anderson e o Wakeman, mas sim, foi um show do Yes com Steve Howe muito compenetrado e sem falhas.

Mais uma correria até o Spinnaker, para o show da banda Barracuda Triangle, projeto paralelo de três membros da sueca Flower Kings. O trabalho é instrumental muitas vezes sujo e obscuro, em outras partes namora o fusion mais limpo, com intenso brilho do superbaixista Jonas Reingold, que aqui também toca a guitarra. Muito boa surpresa, e estão em seu primeiro disco, Electro Shock Theraphy. Ainda tivemos a primeira apresentação do Spock's Beard, banda americana de enorme prestígio no cenário prog. A fase atual fica marcada pela presença do vocalista e guitarrista egresso da banda Enchant, Ted Leonard e o baterista Jimmy Keegan. Mais adiante falaremos do outro show deles pois estava morto de cansado e entreguei os pontos.

2º dia - segunda 16/11

Na segunda feira amanhecemos ancorados em Key West, balneário americano da Florida, com muita chuva, muitos desceram para conhecer mas ficamos no navio para a demolidora apresentação de Martin Barre no Bar Spinnaker. Com repertório muito parecido ao da festa em terra, com direito a clássicos do Jethro Tull. Afinal, o Jethro Tull sempre foi forte com sua mistura de blues rock, muito comum em Londres no fim dos anos 60. Inspiradíssimo Barre arrasou nos solos e ainda tocou bandolim.

Na piscina a primeira apresentação da banda do aclamado guitarrista Alan Holdsworth foi encurtada pela ventania e chuva iminente que alterou toda a programação subsequente. Mas Alan causou frisson com seu super trio: Jimmy Haslip, ex Yellow Jackets, no baixão de seis cordas e o avassalador Virgil Donatti na bateria, os canhões do navio se fizeram ouvir de longe! Tocaram coisas como Texas, do disco "Sixteen Men of Tain" e "Leters of Marque", do lendário i.o.u.

Um dos músicos de quem eu realmente esperava um espetáculo a parte excedeu todas as expectativas: o americano Dave Kerzner, tecladista e compositor que já trabalhou com Alan Parsons e na Sound of Contact, banda de Simon Collins, filho do Phil Collins. O repertório veio centrado no ótimo disco "New World" e ele escalou fortíssimo time de apoio, da qual eu destaco o inquieto guitarrista Fernando Perdomo e as sensacionais backing vocals, as irmãs Durga e Lorelei Mc Broom (Rolling Stones, Rod Stewart, Pink Floyd), para as quais Kerzner abriu espaço com a obra do Pink Floyd, The Great Gig in the Sky, obviamente ovacionadas pela plateia. As composições de Kerzner são um arraso sem exceção, as execuções são primorosas e a platéia simplesmente o venera. Um ponto alto deste cruzeiro.

3º dia - Terça 17/11

O terceiro dia começou na capital das Bahamas, Nassau. A banda sueca Anglagard que no dia anterior teve seu show na piscina suspenso pelo mau tempo começou as 11 da manhã debaixo de sol e muito vento, mas mandou um dos maiores shows de prog onde já estive presente. Eles são detentores do melhor álbum de prog da década de 90, o prodigioso Hybris e vieram dispostos a fazer duas memoráveis apresentações no navio. Foi o que se viu. Criativos, generosos, compenetrados, desfilaram parte de sua obscura obra mas com a iluminação natural do astro rei e sem luzes artificiais o set ficou bastante calçado na competência deles, um trabalho sem falhas, uma pérola do prog sinfônico.

De novo no Pool Stage debaixo de sol forte fomos conferir o PFM. Confesso que sem o Mussida esta banda perde um pouco a empolgação, embora todos os músicos sejam excelentes. Hoje apenas o baterista Franz Di Cioccio e o baixista Patrick Djivas são remanescentes dos primórdios desta histórica banda e podemos considerar longevo o violinista e guitarrista Luccio Fabri. O novo guitarrista Marco Sfogli é um músico finíssimo com bastante estrada e vários projetos paralelos. Gostei dos teclados do Alessandro Scaglioni e da voz do Alberto Bravin. Ainda é uma baita banda e vibramos um monte.

No Bar Spinnaker, onde o Caravan fazia sua primeira apresentação, o lugar estava lotado, todos querendo conferir a lendária banda da cena canterbury inglesa. Com três membros de mais de 40 anos de historia no grupo, como o fundador, guitarrista e vocal Pye Hastings, a banda não pode mesmo desfilar todo o seu imenso repertorio em duas apresentações de pouco mais de uma hora cada, mas fez dois ótimos sets. Neste primeiro o bar quase veio abaixo com o fechamento, o clássico For Richards, um final apoteótico. A mistura de psicodelia, rock e jazz ainda funciona muito bem, o som do grupo é atemporal. Muito bom!
Mais tarde voltamos ao Spinnaker para a primeira apresentação de outra banda lendária, o Nektar. Com um membro fundador, o guitarrista e vocal Roye Albrighton, este é outro caso de repertorio muito maior que o tempo disponível, mas eles tocaram coisas dos discos Recycled, Journey to the Centre of the Eye e Remember the Future ,entre outros. A banda que o acompanha tem o genial tecladista Klaus Henatsch, o baixista Tom Fry e o baterista Ron Howden.

Muito cansados ainda fomos pro Atrium esperar pelo set da banda inglesa IO Earth, show que foi transferido do palco na ilha e acabou acontecendo a 2:30 da manhã depois de enorme atraso provocado por problemas técnicos no palco mais problemático do navio. Os músicos não escondiam a decepção e impaciência. Mas quando o som rolou foi muito bom, especialmente pela extensão vocal da bela vocalista Linda Odinsen. O som deles é uma mescla de art rock, com musica celta e prog sinfônico, uma salada difícil de equilibrar, mas trouxeram uma fada pro palco, tudo acabou dando certo pra eles. Terminaram as 3:40 da madruga! Ufa! Foram 9 shows neste terceiro dia, sendo que 6 eu assisti inteiros!

4º dia - Quarta 18/11

O último dia foi programado para ter shows o tempo inteiro navegando, sem escalas. Começou já ao meio dia com o Caravan debaixo de sol forte, um show complementar ao anterior, repertório modificado e que agradou a todo mundo. Daí pro teatro para a segunda e sensacional apresentação do Nektar, mais uma banda que aproveitou o segundo set para mudar o repertório, desta vez com minhas preferidas "A Tab in the Ocean" e "Desolation Valey".

Fomos pra piscina onde já tinha começado a esperada homenagem do mestre de cerimonias, o baterista Mike Portnoy e seu Tributo a Chris Squire. A banda de apoio foi mesmo a Neal Morse Band completa no palco, mas aos poucos foram sendo chamados varios convidados. Eu e muitos esperávamos um desfile de hits do Yes, mas Portnoy foi bastante criativo e adaptou temas do Squire e em varios deles aparecem partes incidentais do Yes, e mesmo com canções menos badaladas da banda, ficou bastante instrumental mas também foram chamados os vocalistas Steve Hogarth (Marillion), Ted Leonard (Spock's Beard) e Ross Jennings (Haken) dando muito brilho ao evento. Confesso que não reconheci parte do material executado, o que foi ótimo pois não pareceu em momento algum um projeto cover do Yes.

De lá fomos pro Atrium onde Alan Holdsworth não tomou conhecimento de problemas do traiçoeiro palco e mandou bala impiedosamente. Seu set list foi bastante atrevido para quem não levou um tecladista. Começou com a costumeira Fred, anunciou os músicos e atacaram Water on the Brain, tema de costura bastante jazzista para um evento de prog, com cavalar solo de Haslip. Pulam para Devil Take the Hindmost, temaço do album Metal Fatigue, uma obra prima do fusion entre as várias de Alan, que mostra que tipo de guitarrista pretendia incendiar o navio. Não estava para brincadeiras o Mr. Holdsworth!

Nossa jornada estava chegando ao fim. Fica aqui a dica para que se estude bastante o próximo cast na busca de suas preferencias pois sempre se perde algo com os conflitos de horários na grade, então é melhor escolher o que se vai perder pois tem muita coisa boa pra ver, e não dá pra ver tudo. Os organizadores já avisaram que o próximo será em 2017, então se preparem. Em anexo deixamos vários links de faixas no you tube, de alguns shows onde estivemos presentes. Até o próximo CTTE 2017!

INTERNET

Cruise to the Edge

SHOWS

Yes
Martin Barre
Anglagard
PMF
IO Earth
Caravan
Alan Holdsworth

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