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Blues, Jazz e muito mais com André Lisboa

No mês passado, André me procurou enviando seu último trabalho,"In a Bluesy Mood". Depois de curtir o cd, agora apresento a vocês esse guitarrista catarinense de Lages que toca bem tudo que compõe e toca. E é apadrinhado por lendários músicos do jazz (Leo Gandelman) e do blues (Big Chico).

André Lisboa, CD, Leo Gandelman, Big Chico, Fred Andrade e Rivo Trio.

25/11/2015 - Wilson Garzon

Wilson Garzon - Quando começou a aprender a tocar guitarra, você tinha uma carreira em mente ou era só para se divertir?
André Lisboa - Ganhei minha primeira guitarra com 15 anos de idade. Foi amor á primeira vista. rsrs... Passava de 7 a 9 horas por dia tocando, praticando. Soube desde o início que música era vital para mim. Apesar de ser só por diversão no início, fui aos poucos me aperfeiçoando, e foi ficando sério. Fui me profissionalizando. Tive a sorte de ter o apoio de meus pais.

WG - Em 1998 você vai para os USA desenvolver seus conhecimentos na guitarra. Tocar em shows e cair na estrada foi seu grande aprendizado na prática?
AL - Com certeza! Na época não havia internet, e a informação demorava demais pra chegar aqui. Estudei com um grande professor lá e pude conviver e tocar com músicos de alto nível. Americano é fã de música brasileira, como Tom Jobim e Pixinguinha. Foi onde comecei a descobrir o Jazz e o Blues, que são muito fortes lá. Os dois estilos nasceram lá, basicamente com as mesmas raízes, pelos africanos que foram escravizados e levados para o sul. Nada melhor que beber na fonte. Para aprender e entender um estilo musical é preciso conhecer o contexto cultural, vivenciar, e tive a sorte de estar lá para isso.

WG - Quando volta ao Brasil em 2002, você literalmente passa a tocar em diferentes estilos e com grandes músicos. Seria sua fase de amadurecimento?
AL - Acredito que sim. Tive a oportunidade de tocar e gravar com grandes músicos de estilos variados: MPB, Chorinho, Música Latina, Blues, Jazz, Rock... Isso traz grandes aprendizados. Cada estilo tem algo bom que se destaca. No samba o suingue, no chorinho as melodias e divisão, no blues a autenticidade e expressividade, no jazz o improviso, Bossa-Nova as harmonias ricas, etc... Além disso, tocar com outros músicos é um aprendizado grande. Aprendemos uns com os outros.

WG - "In a Bluesy Mood", seu primeiro trabalho é o resumo da ópera? Um cd que representa suas escolhas musicais?
AL - Na verdade é meu terceiro trabalho, mas é o mais produzido. Faço música sem fins comerciais, faço o que gosto. Ouço desde música clássica até Blues. Quando era adolescente tocava em serestas com minha mãe, que cantava guarânias, tangos, bolero... Ouço Piazzola, Dilermando Reis, Hermeto Pascoal, Wes Mongomery, Charlie Parker, Pat Metheny, John Scofield, BB King, Jimmy Hendrix, Eric Clapton, Bach, Rock, Mpb, Bossa-Nova... Esse é o alfabeto que uso para manifestar minhas próprias idéias. Somos uma síntese do que ouvimos e vivenciamos como músicos. Como este álbum conta com convidados diferentes para cada faixa, a riqueza musical é enorme, pois cada artista deixa um pouco de sua alma ali, e o resultado é um trabalho diversificado, com essência e autenticidade, pela qualidade, criatividade, talento e empenho de todos que participaram.

WG - Conte-nos um pouco sobre cada composição sua: estilo, época em que foi criada e o qual o conceito.
AL - O conceito "In a Bluesy Mood" é um álbum com alma, essência, partindo da perspectiva do Blues, passeando por Jazz, Soul, Folk e música latina e brasileira. Os arranjos foram cuidadosamente elaborados.
A primeira faixa, Conexão Brasil, um jazz latino que compus para duo guitarra-saxofone, especialmente para a participação do Leo Gandelman, um dos gênios da música brasileira, de quem sou fã desde adolescente. Essa faixa teve outra participação importante, o pessoal do Rivo Trio. Músicos excelentes daqui do Sul, que acompanham o guitarrista Luiz Meira, que toca com Gal Costa.
A segunda faixa, Make me Feel Light, é uma composição em parceria com Big Chico, um paulista citado pelo Wall Street Journal como um dos grande nomes do Blues no Brasil. Ele gravou os vocais nessa, e gaita em outras duas.
Bluesy Morning é um slow blues, que fala sobre o primeiro amanhecer solitário após uma separação, com uma grande interpretação nos vocais de João Vedana.
A introdução com o barulho do trem de Gamado em você é uma gravação dos anos 60, de uma produtora de cinema de Hollywood. Foi a última viagem da locomotiva, que perdia espaço para trens mais modernos. Quando o trem atinge o tempo da música, transformei a sequencia em looping, que funcionou como percussão para a base do solo inicial.
Lonesome Rider é uma composição em parceria com Sergio Ramos, vocalista de uma banda de Blues que faço parte, Doctor Holmes.
Despacito é uma música latina, com influências de samba e chorinho, mas com improvisos jazzisticos.
A faixa final, Alfa Blues tem a participação no violão dobro de Fred Andrade, guitarrista de Recife. É um Blues, com uma particularidade grande: Talvez a primeira vez em que Blues e Frevo se misturam, já que no improviso de Fred, ele usa várias frases que remetem a esse estilo nordestino tão rico ritmicamente.

WG - Como está sendo a divulgação e a recepção da crítica sobre o seu trabalho?
AL - Apesar de ser um trabalho de música alternativa, portanto bem mais restrito, está sendo excelente. Já está rodando em rádios das Ilhas Canárias, Glasgow na Escócia, rádios locais de Santa Catarina, matérias em jornais e revistas... Felizmente ainda existem pessoas que apoiam a música com mais conteúdo no Brasil. O cd está a venda no I-tunes, Deezer, Cd Baby, Spotify e outras plataformas de mídia, além do cd físico.

WG - Como está a cena musical para o jazz e o blues em Santa Catarina?
AL - Anos atrás era praticamente inexistente. Hoje em dia existem vários festivais, como: Jurere Jazz Festival, Pinhão Blues... participei do primeiro Festival de Jazz da história de Lages, realizado ano passado em virtude do dia mundial do Jazz... além disso estão aparecendo novos grupos e artistas, cada vez mais.

Muitos bares e casas noturnas estão oferecendo a opção de Jazz e Blues para o público, e vejo muita gente descobrindo a riqueza que existe por trás desses estilos, passando a comprar cds e assistir shows. O Sesc também traz vários artistas do gênero, promove workshops e festivais. Vejo algo positivo acontecendo. Importante ressaltar o apoio que tive da Fundação Cultural de Lages. É preciso salientar todos que apoiam a arte e cultura brasileira, seja quem for, de onde for.


Internet

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Gamado em você

In a Bluesy Mood - Onde Comprar

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