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O grande show do pianista Jef Neve em Goiânia

O premiado pianista belga Jef Neve brindou o público goiano com o melhor do jazz internacional. De passagem pelo Brasil, tive a sorte de estar em Goiânia no dia do recital de um dos pianistas mais renomados da atualidade.

Jef Neve, só e com Taluana Wenceslau.

24/09/2015 - Taluana Wenceslau

Faz um ano que venho escrevendo sobre o jazz argentino para o Clube Jazz. Mas hoje mudo um pouco as paragens e compartilho com vocês as minhas impressões sobre o show do pianista belga Jef Neve no coração do cerrado brasileiro. Apesar de não estar no circuito mais badalado do jazz nacional, o estado de Goiás já mostrou que tem um público significativo interessado no gênero. O grande sucesso do atual Festival Internacional de Música em Goiás e do extinto Goyaz Festival provam isto. O teatro também cheio na apresentação de Jef Neve.

A vinda do artista ao país aconteceu graças à parceria entre a Embaixada da Bélgica no Brasil (com o apoio da Air France), o Governo do Estado de Goiás, e a Federação da Indústria do Estado de Goiás, por isto o recital foi realizado no ótimo Teatro Sesi da cidade. O que combinou perfeitamente com o projeto do teatro de formação de plateia, que acontece todas as terças-feiras, às 20h00, com entrada franca, já há quase cinco anos, com distintos estilos musicais.

Nascido em Flandres, na Bélgica, Jef Neve estudou no prestigiado Lemmensinstituut, em Leuven. Graduou-se em Música de Jazz e Piano Clássico e especializou-se em Música de Câmara. Ganhador de diversos prêmios MIA (Music Industry Award), ele já se apresentou em dezenas de países. Há quase um ano, o pianista lançou o seu primeiro álbum solo: ONE, com o qual está fazendo turnê mundial atualmente.

Durante o recital, Jef Neve tocou oito canções, entre composições próprias e de artistas renomados como Billy Strayhorn, Thelonious Monk, Joni Mitchell, e inclusive de compositores belgas ainda pouco conhecidos para o público brasileiro como Stromae e Myrddin de Cauter.

Entre cada canção, ele conversou com o público contando um pouco sobre sua relação com a composição apresentada. A seleção musical, apesar de diversificada, se unia por mensagens em comum de harmonia, paz interior e conexão interpessoal. Durante sua performance tecnicamente perfeita, o artista também se deixou levar pelas emoções, e em alguns momentos marcou o tempo com pisadas fortes além de ter solfejado em algumas canções.

O belga ficou inspirado com o piano de cauda Steinway & Sons, que disse ter sido o melhor no qual ele tocou na América do Sul até hoje! O elogiado instrumento é patrimônio do Teatro Sesi de Goiânia. A noite terminou com a platéia aplaudindo de pé e pedindo bis, o que foi prontamente atendido e gerou outra ovação. Ao final, Jef Neve recebeu o público no hall do teatro, onde autografou discos e tirou fotos com os fãs.

No dia seguinte, ele partiu para sua terra natal, pois no final de setembro apresentará seu álbum solo em Paris pela primeira vez, além de ter vários recitais marcados pelo restante da Europa durante todo o mês de outubro.


Entrevista com Jef Neve

Em exclusividade para Clube de Jazz, o pianista respondeu a nossas perguntas e ainda enviou um autógrafo todo especial para os leitores e leitoras do nosso portal!

Taluana Wenceslau - Eu li que você começou a compor na idade de seis anos. Tão jovem! Você vem de uma família de músicos? Como começou a se interessar pela música?
Jef Neve - Minha mãe costumava tocar piano e cantar (não profissionalmente) e éramos habituados a ouvir muita música (clássica) em nossa sala de estar. Eu decidi muito cedo que queria compor, eu queria ser "Jef Neve Amadeus"! Assim que, desde que eu nasci, já estava na música.

TW - Quais são as suas influências do jazz?
JN - Há tantas influências, mas principalmente a minha música hoje em dia é influenciado por Keith Jarrett e Brad Mehldau. Mas eu sempre mantive a combinação com a música clássica, enquanto eu estudava música clássica e jazz na universidade.

TW - Eu costumo escrever sobre a cena do jazz na Argentina para "Clube de Jazz". E há uma cena local muito intensa por lá e um grande público para os músicos de jazz locais e internacionais. No próximo mês, José James vai estar em Buenos Aires. Vocês fizeram um belo álbum juntos. Como foi a experiência de tocar com ele? E, em geral, o que você acha de tocar com cantores?
JN - Estou organizando uma turnê na Argentina, vou tentar estar por lá no próximo ano. E trabalhar com José foi realmente uma grande aventura. Eu trabalho muito ocasionalmente com cantores, certamente em duo, quando a energia entre os dois pode ser mais forte!

TW - Seu álbum novo e primeiro álbum solo - ONE - foi lançado há quase um ano e você tem tocado em muitos países. Suas expectativas estão sendo atendidas?
JN - Muito! Tanto que eu decidi fazer uma turnê do álbum também em 2016, porque muitas pessoas ainda pedem shows ao redor do mundo. Então, sim, as expectativas foram cumpridas, e que é uma grande honra, pois é um projeto solo.

TW - Como foi a sua experiência de tocar em Goiânia? E o que você acha sobre o público brasileiro diante desta e de suas experiências anteriores no país?
JN - O show em Goiânia foi ótimo, eu realmente gosto do público brasileiro! Eu fiz uma turnê no Brasil no ano passado, e me diverti muito, o público fica realmente concentrado durante a minha música, mas muito receptivo e caloroso quando se trata de aplaudir ou falar comigo depois das apresentações, o que eu realmente gosto! Esperamos voltar em breve!

Programa do Show

Lush life (Billy Strayhorn); Could it be true (Jef Neve); I mean you (Thelonious Monk); A case of you ((Joni Mitchell); Solitude (Jef Neve), Formidable (Stromae); Never give up, Jef Neve); Flying to Diani beach (Jef Neve) e Kundalini (Myrddin de Cauter).


Internet

Jef Neve - Site

CD - One (Habilitar link)

Jef Neve - Sunrise

José James & Jef Neve: The Music of John Coltrane Live at AB - Ancienne Belgique (Full concert)

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