clube de jazz  
 
agenda notícias store
 
o jazz jazz brasil ao vivo galeria
 
 
colunas
perfil
eventos
lançamentos
entrevistas
acorde final
 

Dois Andrés, Dois Projetos e Um Improviso

O material para esse mês nos apresenta uma safra imperdível. O primeiro, André Marques, ao lado de John Patitucci no baixo e Brian Blade na bateria, apresentam o melhor tributo que o bruxo Hermeto poderia ter. O segundo, o genial André Mehmari, encanta a Cantareira com o baixo de Neymar Dias e a bateria de Sérgio Heze. No primeiro projeto, o Neymar, agora de viola caipira e o baixo de Igor Pimenta traduzem os Beatles para a nossa música. No segundo, uma big band de bambas instrumentistas devotam seu amor à arte e essência do Maestro Moacir Santos. E para encerrar, nada melhor que o improviso bem brasileiro do pianista e maestro Amylson Godoy.

16/09/2015 - Wilson Garzon

André Marques - Viva Hermeto

Hermeto Pascoal, que completa 79 anos este ano, é uma lenda viva da música brasileira. Multi-instrumentista, arranjador, o verdadeiro "bruxo albino" da música. Com mais de de 60 anos de carreira, Hermeto sempre gozou de reconhecimento internacional no circuito de jazz desde sua participação no épico álbum Live Evil (1971) de Miles Davis, consagrando-se com Slave Mass (1977), gravado nos EUA, até o álbum Ao Vivo em Montreux Jazz Festival (1979), no tradicional festival na Suíça. Hermeto sempre esteve associado de perto à figura de performer, em função de seu virtuosismo, presença de palco e figura emblemática, difícil de ser esquecida. Porém, além de instrumentista, Hermeto é um dos compositores mais incríveis e originais da música instrumental brasileira e - por que não? - do jazz mundial

As duas grandes razões para este projeto foram o registro de um recorte da obra de Hermeto como compositor e a interpretação desta obras em um lineup jazzista formado pelo pianista brasileiro André Marques - considerado uma autoridade na obra de Hermeto, com quem toca há 20 anos - e dois dos mais requisitados músicos de jazz da atualidade: o baterista Brian Blade e o baixista John Patitucci (ambos fazem parte, atualmente, de um dos grupos mais importantes da cena de jazz no mundo, o quarteto do lendário saxofonista Wayne Shorter). Através deste importante registro, realizado em áudio e vídeo em novembro de 2014, acreditamos que se abrirá um novo caminho para que o riquíssimo repertório de Hermeto Pascoal continue a ser cada vez mais apreciado e executado por músicos de todo o mundo. E também nos possibilitará levar os músicos e a música instrumental brasileira - através de um de seus mais talentosos expoentes, o pianista André Marques - ao primeiro tima da música improvisada mundial.


André Mehmari - As estações na Cantareira (Eduardo Tristão Girão, O Estado de Minas, 15/05/2015)

Nem bem lançou dois discos, o belo Ouro sobre azul (dedicado a Ernesto Nazareth) e Tokyo solo (ao vivo), o pianista fluminense André Mehmari retorna com outro álbum, As estações na Cantareira. Não por acaso, foi gravado em junho passado, no estúdio que o artista tem em casa, na Serra da Cantareira, em São Paulo. A maioria dos 12 temas foi escrita por ele e gravada com Neymar Dias (baixo e viola caipira) e Sérgio Reze (bateria). Mehmari continua escrevendo e tocando muito bem.

O ponto de partida para a criação do álbum foram os quatro movimentos da suíte que dão nome ao trabalho (Outono, Inverno, Primavera e Verão), originalmente uma encomenda para um espetáculo no Sesc Vila Mariana, na capital paulista. São quatro momentos distintos, com o compositor demonstrando claramente seu apreço pela música orquestrada em diversos trechos – ele mesmo assume a tarefa de acrescentar camadas e adornos extras tocando, além do piano, sintetizador, bandolim, guitarra, acordeom, flauta e viola.

“As músicas pediam um instrumental mais rico, embora os músicos já sejam bem versáteis. O trio é o centro do disco e os instrumentos complementares são timbres que funcionam como uma pequena orquestra. Soa como um trio expandido”, define Mehmari. Embora no palco essa concepção requeira mais do que três músicos, o pianista não quis desperdiçar a chance de lançá-lo no Brasiljazzfest (que já foi Free Jazz e TIM Festival), em março. Daí não ter esperado tanto tempo para apresentar o disco novo.

E fez isso rearranjando as músicas para tocá-las em trio mesmo. “Foi uma honra estar num festival que tinha Wynton Marsalis, e fomos a única atração brasileira no elenco. Tocamos boa parte do repertório do disco, deu para transmitir a ideia”, conta. Na verdade, várias faixas do novo trabalho vinham sendo tocadas pelo trio ultimamente e ainda não haviam sido gravadas, caso de Lagoa da Conceição, por exemplo. O mesmo vale para Último desejo (Noel Rosa), que no disco foi emendada em Au lait (Pat Metheny e Lyle Mays) numa faixa só.

A propósito, pelo uso de guitarra e vocalises em algumas faixas (bem como os sintetizadores), o ouvinte talvez se sinta sugestionado a comparar a sonoridade do novo disco a certos trabalhos que o compositor e guitarrista norte-americano Pat Metheny gravou décadas atrás. De fato, há um ou outro momento em que essa impressão pode transparecer, mas, no geral, não há dúvidas de que se expressa no trabalho um dos pianistas mais talentosos e originais a aparecer no Brasil nos últimos anos. Sua música é criativa, bem-arranjada e chega fácil.


Neymar Dias e Igor Pimenta - Come Together Project

Amigos há 15 anos, quando o violeiro Neymar Dias e o contrabaixista Igor Pimenta se encontram a conversa invariavelmente chega no futebol e na música. Se no esporte o santista Neymar e o corintiano Igor nem sempre concordam, na música seus interesses convergem em muitos pontos, especialmente na paixão de ambos pelos Beatles. A ideia de “Come Together Project” surgiu em 2012, numa tarde em que Neymar decidiu experimentar na viola algumas canções do quarteto inglês. Foi escolhendo aquelas que realmente combinavam com as características do instrumento, como por exemplo os temas em que fosse possível aproveitar a sonoridade das cordas soltas. Depois de esboçar os três primeiros arranjos para viola e contrabaixo, decidiu mostrá-los ao amigo, que logo tornou-se parceiro na empreitada.

“Apesar de contarmos com uma formação com viola caipira, em nenhum momento o objetivo foi inserir as canções dos Beatles no universo rural só por conta da instrumentação. Quando isso aconteceu, foi de maneira natural, pela força da melodia,” esclarece Igor. Aliás, a dupla evitou qualquer adaptação que pudesse resultar caricata. “Não quisemos fazer um ‘Beatles in viola’, fomos em outra direção”, completa Neymar. O instrumento dialoga até com os “temas indianos” de George Harrison. Na introdução de “If I needed someone”, quando o duo apresenta um medley com outras melodias do compositor, o som da viola remete à cítara.

O disco traz ainda as músicas “Hello, goodbye”, When I’m 64”, She’s leaving home”, Can’t buy me love”, And I love her”, “Norwegian wood” e Ob-la-di, ob-la-da”. Todas as canções do álbum são de autoria da dupla John Lennon e Paul McCartney, com exceção de “If I needed someone” (George Harrison). “Come Together Project” é um retrato intimista dos Beatles, feito por dois fãs que se apropriaram da obra de seus ídolos com devoção e criaram algo novo, capaz de surpreender até o mais aficionado beatlemaníaco.


Amylson Godoy - A Base do Improviso (Material de Divulgação)

O Maestro Amilson Godoy lançou dois meses atrás o cd "Amylson Godoy - Na base do improviso". O lançamento aconteceu no auditório do Espaço Cultural Juscelino Kubitschek, na sede da Ordem dos Músicos - Conselho Regional do Estado de São Paulo. A plateia composta em maioria por músicos, prestigiou a performance notável de Amilson Godoy ao piano, acompanhado por Arismar do Espírito Santo (contrabaixo); Tiago do Espírito Santo (guitarra), Christiano Rocha (Bateria) e Gerson Galente (Sax), executando músicas de estilos variados entre jazz brasileiro com incursões pela bossa nova e frevo. As improvisações de Arismar caíram no show como a cereja do bolo, a execução firme e disciplinada de Christiano Rocha também foi um diferencial totalmente integrado com a dinâmica de Tiago e Gerson.

O irmão de Amilson Godoy, o pianista Adilson Godoy, definiu a obra como "contemporânea, utilizando harmonias trabalhadas, demonstrando um amplo conhecimento e domínio harmônico, criando sons interessantíssimos, fazendo com que o piano interaja com os instrumentos escolhidos para seu trabalho. Sua obra autoral, cria espaços próprios para improvisação, oferecendo ao músico improvisador possibilidade de expandir sua criatividade fora de resoluções harmônicas comumente usadas. Observa-se na sua execução pessoal, uma virtuosidade pianística, com características próprias de um concertista que conhece profundamente os segredos da sonoridade do seu instrumento. Tudo executado com muita sensibilidade e amor".


Coisa Fina Big Band - Projeto Coisa Fina (Material de Divulgação)

Há 10 anos São Paulo via nascer o "Projeto Coisa Fina", grupo criado homenagem ao maestro pernambucano Moacir Santos, responsável pela renovação harmônica da música brasileira nas décadas de 1950 e 60, ligando-a ao ritmo africano. A big band agora lança o seu segundo CD, "Coisa Fina" - produção do Selo Sesc, ampliando a lista de referências com clássicos do cancioneiro nacional, como Asa Branca, de Luiz Gonzaga.

Com 13 integrantes, a banda do Projeto Coisa Fina conta com o baterista Mauricio Caetano e Matheus Prado na percussão, acompanhados pelos músicos Ivan de Andrade (sax alto, clarinete, flautim), Walmer Carvalho (sax tenor e soprano, flauta), Daniel Nogueira (sax tenor, flauta), Bira Junior (sax barítono, clarinete, flauta), Amilcar Rodrigues (trompete/flugelhorn), Diogo Duarte (trompete/flugelhorn), Odirlei Machado (trombone), Abdnald Santiago (trombone baixo), Marcelo Lemos (guitarra), Fabiano Leandro (piano) e Rafael Ferrari (contrabaixo acústico).

A sonoridade do disco revela novas harmonias e timbres, influências da música afro e latina, colocando todos para dançar. Além disso, é apresentada a "faceta mais importante de uma big band no Brasil", a orquestra de gafieira, que volta a nos aproximar do suingue, leveza e muita competência, segundo o pianista e produtor musical Benjamim Taubkin no encarte da obra.

Topo da página | Envie a um amigo | Voltar para Lançamentos

 
copyright clube de jazz 2004  
cadastre-se   termos de uso   contato   sobre nós