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Helton Silva, um violonista em muito boa companhia

Helton Silva, paulista de Franca, sempre andou às voltas com o violão até que se decidiu pela profissão de músico. Para isso, teve que cursar na UFUberlândia, onde teve professores como Jorge Bertolini, Sandra Afonso e Jodacil Damasceno. Lá fez sua opção por um repertório contemporâneo e jazzístico e tão logo caiu na estrada lançou seu primeiro cd "Mais Perto - Closer" em 2010. Cinco anos depois, Helton se juntou a dois mestres, Yuri Popoff e Marcio Bahia, para lançar o cd "One". Nessa entrevista ele nos conta a trajetória desse trabalho conjunto, bem como detalha todas as composições.

Helton Silva, Yuri Popoff e Marcio Bahia.

19/08/2015 - Wilson Garzon

Wilson Garzon - Quando você decidiu montar o projeto "One"? Conhece Bahia e Popoff há muito tempo?
Helton Silva - O CD “ONE (Helton Silva/Yuri Popoff/Marcio Bahia)”, que acabou de sair (2015), é um trabalho que só aconteceu devido à amizade e a parceria com esse grande nome do baixo no Brasil: Yuri Popoff. O primeiro trabalho com ele foi em 2011. A partir daí muitos outros aconteceram, em pequenos combos até grupos maiores, gravação de DVD (Ele e Lena Horta participaram do meu DVD) incluindo o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Araxá. Desde então nos tornamos grandes amigos. Com relação ao disco, há muito havia cogitado com ele a possibilidade de gravarmos um com músicas autorais. Mas por algum tempo os projetos paralelos dificultaram a organização e viabilização do projeto.

E assim, num telefonema o CD ‘ONE’ começou a ser formatado. O baterista! Nesse telefonema, em que o disco se fazia assunto de pauta, pensei alto e disse: “Yuri, você conhece algum baterista pra esse trabalho?” “Quem vai fazer é o Marcinho... Tá tudo certo!” “Quem será esse tal de Marcinho?” “É o Marcio Bahia meu camarada.” Daqui só pude dizer" ok! Então tá!". No primeiro dia de contato pessoal, a interação foi exageradamente boa, significativa. Entramos no estúdio e gravamos as faixas com muita alegria, honestidade e vinculados à uma mesma sensação: de que aquele álbum era valioso... O zelo dos dois era algo admirável de se ver: gravávamos um, ou dois takes, eles (Yuri e Marcio) ficavam exaustivamente ouvindo e escolhendo o melhor, se entraríamos novamente para mais um take. Isso durante as oito horas ali, divididos em dois dias! Esses dois ‘seres’ mostraram a mim, sem sequer dirigirem uma palavra sobre, o porquê são referências musicais tão particulares. A música é muito mais do que o ego, do que o instrumentista em si... E aí surge o nome do CD: ONE. Não tem relação com único. Diz respeito à simbiose, à relação estabelecida naquele espaço, no ato de tocarmos juntos, pela e para a música.

WG - Das nove músicas do CD, seis são de sua autoria. Quando elas foram compostas? Descreva cada uma segundo concepção, estilo...
HS - Abaixo, vou descrevendo as composições, uma a uma:

DAYDREAMS (2012)
o violão caminha por entre as influências jazzísticas, mas sempre buscando o caminho melódico, nostálgico, um dia de sonho! Fiz esta música numa noite, sentado na sala de meu apartamento. Depois de um dia pesado, notícias graves, corrupção, graves indícios de violência, etc... Aqui, ali, no Brasil! Bem próximo!!! Pensando nisso tudo, a melodia foi surgindo em conjunção a um estado harmônico que gera tensão, mas constrói uma base, uma sustentação que motiva os três instrumentos a um passeio por esse mundo de sonho. Quem sabe o que esperamos né! Essa música dá nome ao show! (do CD ‘ONE’).
CHORO BREVE
Foi muito engraçado e peculiar a maneira como essa música surgiu: num espaço barulhento, ‘nada tinha de musical’; as pessoas falavam muitíssimo alto, estridente, incomodava muito. Rsss! Daí estava com o violão próximo e as primeiras notas da melodia vieram!!! As outras chegaram rapidamente. Como não tinha como escrevê-la, gravei-a em meu celular. Não sou um músico do choro. Pra mim, certamente é uma das manifestações musicais que influenciam e caracterizam nosso país. Gerar o resultado sonoro característico do gênero exige um debruçar significativo do instrumentista... A vivência! Mas ouço e admiro sensivelmente o trabalho dos que se empenham nessa linha.... Quando toco, tento reproduzir do meu jeito... Choro Breve! Breve recado, uma forma não comum no choro! Minha homenagem a esse gênero que tanto fez por nosso país.
DO OIAPOQUE AO CHUÍ
é uma música feita em 2009. O baixo pedal em mi sustenta todo um contexto harmônico sugerido. Tem um sabor mineiro, com um improviso em bloco... Essa linguagem, esse modo de tocar me inspira... me cativa... ‘me faz a cabeça’! Essa é a linguagem que me transcende. Toquei essa música pela primeira vez, num festival, com o Yuri e a Lena Horta. Na verdade, era um septeto. Poxa, rolou demais! Fiz os arranjos para os metais... Flauta, Sax tenor, trombone! Ainda quero gravá-la nesse formato.
NIGHT AWAY (2013)
O material sustentado na obra sugere um tema que parte do Bebop, mas que ao abrir para os improvisos, desenvolve um contexto ‘jazz-funk’. Adoro essa! O Yuri também! É uma das suas preferidas... Essa música surgiu de madrugada... Não conseguia dormir! Daí, peguei o violão e fiz o tema... saiu direto!
PINGADO (2012)
minha mulher, em fases anteriores, dizia que minhas músicas eram muito introspectivas, tristes... Bom! Aí fiz esta... Pensando nela e no meu dia a dia: o leite com café (pingado) é essencial pra mim, de manhã! Rsss!´... Um dia mostrei pra ela. Sua resposta: “Agora sim, essa é alegre! ”.
ESPERA (2004)
Essa música é a minha composição mais antiga, das que estão no disco. Foi feita num momento de incerteza, de muita luta pessoal. A ansiedade era algo que aguçava meus sentidos. Conturbava-me a percepção. E assim num certo momento algo me veio à cabeça: Espera! Espera! Espera! Acatei essa intuição como uma informação essencial.. Lembro-me que a música chegou em trechos, por partes. Densa! Ela pode ser dividida em várias seções. Assim como as outras! Mas essa tem um teor mais orquestral! Cheio de climas! Acho que fizemos apenas um take dessa obra... Yuri, na reexposição do tema, executa-o em conjunção ao violão. E A bateria dá uma dimensão espacial. O Marcinho simplesmente transformou a obra num grande mundo rítmico que me remete a ‘um realismo fantástico’! Sabe como é: meio Kafka... Ficou lindo!

WG - Como se deu a escolha por "Rosa"? E quanto às composições de Yuri?
HS - Rosa é uma das melodias mais lindas que conheço. Para mim ela é tão representativa quanto ‘Aquarela do Brasil’, de Ary Barroso. Um dia estava na casa de meus pais. Meu pai estava ouvindo a versão de Orlando Silva (O LP – com toda a sonoridade característica) .... Estava almoçando e ouvindo aquele material; assim que terminei a última garfada, peguei o violão e fiquei tocando a obra, criando a versão, que foi gravada posteriormente, no ONE.

Quanto as do Yuri: "Vertentes" é uma obra que tocamos desde o primeiro show que fizemos... "Retiro das Pedras" sempre me chamou a atenção. Melodicamente inigualável, com uma harmonia perigosa. Ou seja: um grande desafio! Quem conhece a original sabe do que estou falando. Ouvia-a direto! Daí não teve jeito. Sugeri a ele... E assim se formatou a escolha desse material.

WG - Como vocês estão pensando em divulgar o cd? Quais são seus novos projetos?
HS - O trabalho agora parte para a formatação de uma turnê promocional, ainda em desenvolvimento. Logo estaremos na estrada com esse trabalho, novamente. Agora com o material (CD). Cada um dos instrumentistas tem seus trabalhos específicos, suas carreiras, etc. Tudo tem de conciliar!

Há algumas revistas, jornais e rádios especializados, divulgando ou em processo de divulgação do CD. Espaços midiáticos como o proposto por vocês é significativo e contribuem significativamente na divulgação. Isso é bem legal. Está tudo caminhando bem. Somos amigos, mesmo!! Para mim é uma honra, um privilégio poder conviver com essas lendas, esses seres iluminados que tanto fizeram e continuam contribuindo com a música, universal. O projeto agora é trabalhar o CD ‘ONE’, intensamente, oferecer o melhor de nós mesmos ao público e certamente promover um show que se sustente numa viagem emotiva: Daydreams.


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Helton Silva

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ONE

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