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Bonamassa, Borger, Stamato e Blake & Serpa

Para esse agosto não ser de desgosto, duas sugestões quentes do crítico Gustavo Cunha: a guitarra bluseira de Joe Bonamassa homenageando Muddy Waters e Howlin' Wolf e o hammond de Ari Borger passeando pelo balanço do boogie. Da lavra do mestre LOC, também duas sugestões: o duo estilo jazz lírico, do pianista Ran Blake e da cantora Sara Serpa. E a quinta edição do speed samba de Hamleto Stamato, Ney Conceição e Erivelton Silva, recém saída do forno.

30/07/2015 - Wilson Garzon

Joe Bonamassa - Muddy Wolf at Red Rocks (Gustavo Cunha para o blog www.33rotacoes.com, 09/07/2015)

Sem dúvida, Joe Bonamassa é um dos guitarristas mais vibrantes surgidos na cena Blues-Rock nos últimos 20 anos. Fato que se comprova pelos seus últimos lançamentos - os fantásticos concertos realizados nos palcos do Royal Albert Hall (2010) e Beacon Teather (2012), em que teve ao lado as presenças de Eric Clapton e Paul Rodgers; no belíssimo Vienna Opera House (2013) com um super set acústico; e a viagem ao universo do Funk-Jazz dos anos 70 em Rock Candy Funk Party (2014), entre outros. Além, lógico, de sua obrigatória discografia de estúdio. E agora nos surpreende com um Tributo a Muddy Waters e Howlin Wolf, dois pilares do Blues elétrico e, talvez, os grandes representantes do movimento a partir dos anos 60.

Com total domínio da linguagem Blues, Bonamassa desfila um repertório de clássicas composições de Willie Dixon, J.B. Lenoir, Muddy Waters, Chester Burnet e Hendrix, em 2h de apresentação em um dos palcos mais extraordinários da América - Red Rocks, localizado nas montanhas do Colorado, no anfiteatro geologicamente natural, com perfeita acústica. Muddy Wolf at Red Rocks traz, como sempre, um Bonamassa inspiradíssimo e aqui com uma nova formação - os metais liderados por Lee Thornburg trompete e arranjos, Ron Dziubla sax e Nick Lane trombone; Mike Henderson harmônica; Reese Wynans piano e hammond; Michael Rhodes baixo; Kirk Fletcher guitarra; e Anton Fig bateria.

Uma super pré-produção deste trabalho levou Bonamassa ao Mississipi a bordo de um original Chevy Bel-Air 1957. Ao seu lado o produtor Kevin Shirley, e realizaram uma histórica viagem passando por Clarksdale, uma visita ao Delta Blues Museum até a encruzilhada protagonizada por Robert Johnson. Tem ainda imagens resgatadas de Muddy e Wolf em apresentações ao vivo e em estúdio, tudo documentado nos extras do DVD-Bluray; e o áudio em CD duplo.


Ari Borger - Live at Cincy Blues Fest (Gustavo Cunha para o blog www.33rotacoes.com, 19/07/2015)

O álbum, lançado em formato CD-DVD pela Chico Blues Records, tem o registro da apresentação ao vivo no festival que se realiza anualmente no verão da cidade de Cincinati, Ohio, no Sawyer Point Park, nas margens do rio. São vários palcos distribuídos pelo parque, e um deles foi o cenário para Ari Borger mostrar o seu trabalho - Arches Boogie Woogie Piano Stage, que também é palco do prêmio International Boogie Woogie Hall of Fame.

Muitos convidados participam nas 9 faixas do CD - as vozes ficaram na responsabilidade de J.J. Jackson em Baby Won´t You Jump Me (Lowell Fullson) e Wallace Coleman, que também tocou harmônica, em Men Red Spider (Muddy Waters) e Bricks on my Pillow (Robert Nighthawk), estas com a seção rítmica da Igor Prado Band, com Igor Prado na guitarra, Rodrigo Mantovani no baixo e Yuri Prado na bateria.

Nas demais faixas a cozinha contou com George Bedard na guitarra, Chris Douglas no contrabaixo e Johnny Vidacovich na bateria; e Ari Borger alternou ao piano e hammond, este que mostra a força na pegada funky de Funky B, tema autoral em que sobra muito groove; em Blues Feeling, um slow Blues no melhor estilo; e na clássica Green Onions, original de Booker T.

O Piano Blues abre o álbum em Song for Jay; se apresenta com todo seu lamento em Playing with my Soul, em baixa dinâmica e com um riff estonteante de Ari; e, no melhor encontro do Boogie com o Jazz, a contagiante French Quarter Boogie, que contou com as participações do baixista Marcos Klis e do guitarrista Celso Salim.

O DVD contém 7 faixas, com edição de imagens por Chico Blues, e registra o encontro de Ari Borger com o pianista Bob Seeley na faixa Boogie with Bob, além do tema 88 Boogie, que não está no CD. A masterização do álbum teve as mãos de Igor Prado e a arte da capa de Yuri Prado. Um registro obrigatório.


Hamleto Stamato Trio - Speed Samba Jazz 5 (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 01 de agosto de 2015)

O pianista e compositor Hamleto Stamato é uma das maiores expressões do chamado samba-jazz, no mesmo patamar de mestre Antonio Adolfo, do paulistano-novaiorquino Hélio Alves, de Marcos Ariel e de David Feldman, para citar, apenas, consagrados ases do teclado. Aos 47 anos, Stamato está comemorando 15 anos à frente do afiadíssimo trio que formou com o baixista Ney Conceição e o baterista Erivelton Silva, com o lançamento do CD Speed Samba Jazz 5 (Delira Música).

Em Speed Samba Jazz 5, Stamato e seus mais fieis comparsas apresentam versões irresistíveis de dois standards e de três composições que fazem parte do “livro de ouro” do jazz. Os standards são All the things you are (3m45) e Stella by starlight (4m15). Os jazz originals são Round midnight (5m15), de Thelonious Monk; Solar (5m), de Miles Davis; Take five (5m30), o tema originalmente em 5/4 do saxofonista Paul Desmond, e que virou uma espécie de marca registrada do quarteto de Dave Brubeck. (20)

As peças made in Brazil do novo CD são: À vontade mesmo (3m35), do trombonista Raul de Souza; Bananeira(4m), de João Donato; Tico-tico no fubá (5m), de Zequinha de Abreu; Salsa pro Zé Henrique, de autoria do pianista-líder.

A emoção, as sutilezas e os desafios que adjetivam a música concebida pelo pianista-compositor, no leme do seu trio, estão presentes em todas as faixas de Speed Samba Jazz 5. Mas não posso deixar de destacar especialmente: as reinvenções, em arriscadas acelerações do tempo, das possibilidades melódico-harmônicas das mais do que batidas All the things you are e Stella by starlight; o tratamento com respeito - mas sem o habitual temor reverencial – da “intocável” obra-prima de Thelonious Monk; a jazzificação surpreendente do chorinho Tico-tico, que começa em modo de valsa, e se alonga num fraseado sofisticado, à la Chick Corea.


Ran Blake & Sara Serpa - Kitano Noir (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 11 de julho de 2015)

O pianista Ran Blake tem uma queda toda especial por vocalistas por ele consideradas de nível ímpar, em matéria de técnica e de criatividade. A primeira escolhida foi a vanguardista Jeanne Lee (1939-2000). A segunda foi Christiane Correa, nascida na Índia, e radicada nos Estados Unidos desde 1979. Dominique Eade, também professora do NEC, foi a terceira. Mais recentemente, Ran Blake fez de sua aluna Sara Serpa - hoje com 35 anos, novaiorquina desde 2008 - sua partner preferida. Antes do já citado Aurora, a dupla gravara Camera obscura (Inner Circle, 2010).

E agora, como uma espécie de presente de aniversário ao contrário, o pianista nos brinda com 16 primorosas peças gravadas em dupla com Sara, no período 2013-2014, em duas "residências" no Kitano - o jazz bar do luxuoso hotel do mesmo nome, lá na esquina da Park Avenue com a Rua 38. O CD (selo Sunnyside) intitula-se "Kitano Noir". A maioria das faixas gira em torno de três minutos. A mais breve é Cry Wolf(1m55), de Blake, com vocalização desnuda, sem palavras. A mais longa, Preto Velho (4m55), de Caco Velho, tem letra em português.

São também wordless três outras peças de Blake interpretadas pela dupla: a mais antiga Short life of Barbara Monk (3m), a murmurante Field Cry (2m05) e Indian Winter (3m15) - esta última de densidade melódico-harmônica especialmente notável, o clima de suspense acentuado pelos acordes noirs do autor em contraste com as piruetas da voz cristalina de Sara Serpa.

Dentre os temas mais conhecidos desenvolvidos pelo duo no CD "Kitano noir", destacam-se: Mood Indigo (2m20), de Duke Ellington; Round Midnight (3m15), de Thelonious Monk; Good morning Heartache (3m55), canção celebrizada por Billie Holiday, na década de 1940; Get out of Town (3m40), de Cole Porter; When Sunny gets Blue (3m20), de Marvin Fischer, e sucesso de Nat King Cole.

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