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Os novos 'climas' de Conrado Paulino

Radicado há um bom tempo no Brasil, o guitarrista portenho Conrado Paulino é bastante identificado com a música brasileira. Ele está lançando seu quarto Cd "Quatro Climas", que nessa entrevista será detalhado, com Conrado contando a História de cada música do repertório.

30/07/2015 - Wilson Garzon

Wilson Garzon - Depois de quatro anos, você lança um novo CD, o segundo com o seu quarteto: "Quatro Climas". Dez anos depois, qual é a grande diferença entre um trabalho e outro?
Conrado Paulino - De fato, passaram 10 anos entre um lançamento e o outro. Mas, na realidade, a maior parte do novo CD foi gravada em dezembro de 2012 e durante algumas sessões espalhadas durante o ano de 2013. Não saiu antes por problemas de produção e principalmente por falta de tempo. Mas, a expectativa original de lançamento era fim de 2013 ou começo de 2014. Tratando-se de um projeto absolutamente independente, essa demora não é incomum.

Com relação às diferenças entre os dois trabalhos, talvez a mais notável seja a participação de convidados especiais e, consequentemente, de instrumentação. Há uma música com clarinete (Alexandre Ribeiro), uma com flauta (Lea Freire), uma com trompete (Daniel D'Alcântara) e naipe de saxofones (Mauricio de Souza, Josué dos Santos e Vitor Alcântara). Finalmente, uma cantada em vocalise pela maravilhosa Tatiana Parra com a participação de um naipe de cordas (3 primeiros violinos, 3 segundos violinos, duas violas, um cello e um contrabaixo). Isso resulta em uma sonoridade mais variada, às vezes mais próxima do jazz, como na música "Gêmeos", outras vezes próxima da música instrumental brasileira mainstream, como em "Vivo sonhando" ou "Você já foi a Bahia" ou ainda uma sonoridade próxima da canção brasileira, como em "Valsa errante".

WG - "Quatro Climas" também significa que há estilos, arranjos e ritmos diversos presentes nesse trabalho? Então, existe uma harmonia para integrar as diversas canções?
CP - De fato, a sequência das músicas obedece a intenção do artista em mostrar uma passagem temporal que parte do verão, representando a alegria, depois mergulha no inverno - cujo ponto mais denso é "Canto triste" de Edu Lobo - e termina na primavera, com toda a simbologia de esperança e renovação que ela traz. O meio do CD tem uma "barriga" clara; duas músicas densas, tristes, e a partir daí começa a repontar. Isso foi proposital, faz parte da concepção estética do projeto. Aliás, a bela arte gráfica do CD - assinada por Gal Oppido - mostra a qual estação do ano "pertence" cada composição.

Mas o roteiro das músicas - como a vida própria - não é linear, oscila entre as estações/sentimentos/estados de animo. Há ainda um detalhe muito curioso de significância muito forte que, por incrível que pareça, aconteceu involuntariamente: o CD começa em Sol menor e termina em Sol maior! Eu só percebi isso na primeira vez que ouvi o master na minha casa, antes de mandá-lo para a fábrica.

WG - Das onze músicas do repertório, seis são composições autorais. Elas foram criadas para esse CD ou foram compostas em épocas diversas?
CP - As seis músicas próprias já formavam parte do repertório do Quarteto, já havia um bom tempo. A música mais recente é "Se parar", que foi composta em 2011. Tenho outras composições que não entraram no CD, provavelmente entrarão no próximo

WG - "Esquimó em Olinda" é um pouco autobiográfico?
CP - Não tinha pensando nisso, mas até que pode ser...eu danço muito mal! A composição é um frevo com alguns compassos impares que fazem com que ele fique "atravessado". Quem souber dançar frevo e quiser dançar essa minha música pode chegar a tropeçar nas próprias pernas! Por isso imaginei um esquimó chegando em Olinda no meio do carnaval, dançando frevo sem suingue nenhum e atravessando muito os passos.

WG - O que significa "Me zeni o pet"?
CP - É um trocadilho (muito infame) com o nome do grande guitarrista Pat Metheny, a quem dediquei essa música. A música tem uma sonoridade próxima de algumas composições do Pat Metheny Group . Estou meio arrependido da piadinha, mas agora é tarde!

WG - Você homenageou seus "Gêmeos"?
CP - O nome "Gêmeos" é outra piadinha. Há uns anos atras o grande guitarrista Michel Leme me convidou para participar de um programa que ele tinha na TV Cia da Música. Na véspera compus essa música e resolvi dedicá-la a ele, quem é fisicamente totalmente oposto a mim: muito alto e muito cabeludo. Por esse motivo chamei a música de "Gêmeos", ironizando nossas diferenças físicas e fazendo referência ao filme "Twins", em que Arnold Schwartznegger e Danny de Vito interpretam dois improváveis gêmeos.

WG - "Se parar", a música termina?
CP - Espero que não! A música "Se parar" foi composta em "homenagem" ao fim do meu casamento, um relacionamento de quase dezoito anos - muitos deles muito felizes - e que deixou dois filhos maravilhosos. Curiosamente o arranjo acabou ficando em ritmo de bolero, provavelmente o estilo musical que mas remete à imagem de um casal dançando. Por falar no arranjo, a forma de expor a melodia tocando "em bloco" no piano remete propositalmente ao estilo de César Camargo Mariano.

Depois da mixagem final percebi que o meu improviso nessa música reflete perfeitamente - em poucos segundos - todo o percurso final do relacionamento, a tensão crescente, as discussões e o desfecho onde no fim as coisas encontram o seu eixo. É um solo muito discursivo e quem prestar atenção poderá facilmente imaginar alguem falando e ficando gradativamente nervoso, ou irritado.

WG - Você sempre inseriu clássicos da MPB no repertório de seus cds. Isso se deve ao fato de uma proposta de balancear o cd entre autorais e clássicos?
CP - Sim, esse é um motivo, além de achar importante que o ouvinte tenha uma referência do trabalho do grupo baseada em composições conhecidas. Também está o fato de que eventualmente eu curto tanto o arranjo que fiz quanto uma composição própria. Tocar a minha leitura de "Você já foi a Bahia" me dá tanto prazer como tocar uma composição minha.

WG - As escolhas das músicas de Jobim, Dorival e Edu Lobo foram na hora de gravar ou já escolhidas há muito tempo?
CP - Esses arranjos já faziam parte do repertório do Quarteto, por isso as gravamos. O arranjo mais antigo é o de "Vivo sonhando", de Jobim. Chegamos a gravá-lo em um CD demo quando o quarteto era um trio ainda, com Debora Gurgel na flauta, Percio Sapia na bateria e eu no violão, no fim dos anos 90. Para quem tiver curiosidade, está disponível em SoundCloud, https://soundcloud.com/conradopaulino/vivo-sonhando-jobim

WG - Em relação à divulgação, quais são os próximos passos? E quanto a novos projetos: um disco com os guitarristas argentinos Ale Demogli e Quique Sinesi?
CP - Agora que finalmente o CD está pronto, vamos passar à batalha da divulgação e shows. Meu projeto mais imediato é um novo CD de violão solo, similar ao "Wrong Way". Meu sonho é gravá-lo ainda este semestre, espero conseguir esse objetivo. Quanto a um CD com o trio Demogli-Sinesi-Paulino, não conversamos ainda, mas seria um belíssimo projeto. Talvez seja um pouco mais factível um CD em duo com o grande Quique Sinesi, com quem realizei mais apresentações. "Vocês precisam gravar um Cd juntos" foi um comentário unânime após nossas apresentações.


Links de Venda

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Outra Entrevista (2011)

Lançamento de Wrong Way

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