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O novo CD de Maria Schneider & Orquestra

Acaba de sair do forno da Artist Share o lançamento da Maria Schneider Orchestra: "The Thompson Fields". Em brilhante crítica o Mestre LOC entra no universo desse artista única para depois desfiar a arte de cada composição desse CD que já nasceu uma obra-prima.

11/07/2015 - Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 04/07/2015

Em 2008, o CD Sky blue (Artistshare) da orquestra da compositora-arranjadora Maria Schneider foi eleito o melhor do ano, nos referendos dos críticos do mundo todo promovidos pela revista Downbeat e pela Jazz Journalists Association. Em 2005, "Concert in the Garden", o quarto álbum da sua big band gravado em estúdio, arrebatara o Grammy na categoria “Best large ensemble”. Desde então, a discípula do imortal Gil Evans (1912-1988) vem liderando – como compositora e chefe de orquestra - quase todas as eleições dos “melhores do ano” das publicações especializadas.

Assim é que se aguardava com muita expectativa a conclusão da produção do CD "The Thompson Fields", finalmente gravado em agosto do ano passado, e já disponível no site do selo-cooperativa de La Schneider (www.artistshare.com). A temática dominante do novo disco de oito faixas (ou movimentos) é inspirada na paisagem, na flora e na fauna dos campos onde nasceu, passou a infância e parte da juventude, na área rural do sudoeste de Minnesota. Mas há até uma referência direta ao Brasil, na peça de encerramento, intitulada Lembranças (13m30), e dedicada ao saudoso saxofonista-clarinetista Paulo Moura (1932-2010).

Ao comentar The Thompson Fields, Jeff Crow (Audiophile Audition) anotou: Não se 'ouve' um CD de Maria Schneider. A gente o 'experimenta'. Assim como o jazz orquestral de Bob Brookmeyer, é difícil categorizar as composições intensas, sublimes, de Maria. Uma descrição bastante aproximada é a de que elas são híbridas, interligando música clássica, folclore do mundo todo e jazz. Para mim, sua beleza combina a Americana clássica de Aaron Copland com o melhor do big band jazz.

Nas notas que escreveu para o álbum, a compositora cita, à guisa de epígrafe, a seguinte observação de Aldo Leopold (1887-1948), um dos pais da moderna ecologia: Nossa habilidade de perceber a qualidade na natureza começa, como na arte, com o bonito. Expande-se através de estágios sucessivos do belo até valores ainda não capturados pela linguagem

Esta é a busca permanente da arte de Maria Schneider, 54 anos, em comunhão com a sua orquestra de 18 integrantes, dos quais pelo menos 10 permanecem fieis à líder e à instituição onde ganharam notoriedade, há mais de uma década. Duke Ellington – que era um pianista muito original – dizia que o seu verdadeiro instrumento era a orquestra. A herdeira de Gil Evans e de Bob Brookemeyer pode repetir a frase.

Em todas as suas peças, La Schneider conta uma história com início, meio e fim – do crescendo ao diminuendo, passando pelo clímax - numa tapeçaria melódico-harmônica impressionista e envolvente, na qual as seções da big band funcionam como um aparelho respiratório, e não como produtoras de riffs e outros artifícios impactantes. Os solistas têm muito espaço para suas intervenções, e são escolhidos de acordo com o mood das composições.

Na faixa-título de 10 minutos do novo registro em estúdio da compositora-condutora, os solos são do guitarrista Lage Lund e do notável pianista Frank Kimbrough, que faz parte da orquestra desde 1993. O saxofonista tenor Donny McCaslin – que decolou para o estrelato no premiado álbum "Concert in the Garden" – tem agora destaque na faixa "Arbiters of evolution" (13m55). Scott Robinson (clarinete) brilha em "Walking by flashlight" (5m). Em "The monarch and the milkweed" (12m05) os solistas são Marshall Gilkes (trombone) e Greg Gisbert (flugelhorn). Em "Home" (7m45) o realce é para o sax tenor de Rich Perry, veterano da orquestra, assim como Steve Wilson (sax alto), que merece o spotlight em "Nimbus" (9m30). Outro íntimo colaborador da big band, o acordeonista Gary Versace, é o solista de "A Potter's song" (5m25), peça dedicada à trompetista Laurie Frink, grande amiga de Maria, que morreu de câncer em 2013, aos 61 anos. Na faixa final, "Lembrança", destacam-se o trombonista Ryan Keberle e o baixista Jay Anderson.

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