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Yamile, Antônia, Mar Azul e Dois na Rede

As novidades ficam por conta da saxofonista argentina Yamile Burich e sua banda 'Ladies Jazz' e a revisão do samba boogie-woogie de Antônia Adnet. Destaque para a re-leitura mineira do Clube da Esquina e a presença sempre maiúscula do duo Senise-Pewranzzetta.

16/06/2015 - Wilson Garzon

Yamile Burich - She’s the Boss (Taluana Wenceslau, para o site Clube de Jazz)

Uma das figuras mais destacadas da cena emergente do jazz argentino, Yamile Burich vem deixando sua marca com seu jeito vigoroso de tocar o saxofone. Nascida na cidade de Rosário, ela cresceu em Salta (no norte do país), onde desenvolveu sua formação musical. Atualmente, vive em Buenos Aires. No mundo do jazz, as mulheres têm ocupado tradicionalmente o posto de cantoras. Elas ainda são uma pequena minoria entre os instrumentistas. Na Argentina, o primeiro disco próprio de uma mulher instrumentista foi lançado em 2005 (da pianista Paula Schocron).

Seu primeiro disco tem um título significativo: “She’s the Boss” (Ela é o Chefe), lançado em 2010. No ano passado, ela criou um grupo formado exclusivamente por mulheres: “Yamile Burich & Ladies Jazz Quintet”, e acaba de lançar o primeiro disco com essa formação: “Ahora!”. O repertório em sua maioria é dedicado ao hard bop, como as composições de Lou Donaldson ("Play Ray" e "Callin' all Cats") e Benny Golson ("I remember Clifford") e a gillespiana "Tin Tin Deo"). Duas são autorais ("Sortija" e "Ahora!") e o cd termina com o standard "I've grown accostumed to her face". O álbum possui uma sonoridade vivaz e dinâmica que reflete a personalidade artística da saxofonista.

Sua presença cênica é contagiante, Yamile executa os temas com muita energia e isso contagia o público. Tive a oportunidade de ver o quinteto feminino em ação, e além de sua líder, participam a guitarrista Patrícia Grinfeld, a percusionista Carolina Cohen, nas congas, acontrabaixista Diana Arías e a baterista Analía Ferronato.


Antonia Adnet - Tem + boogie woogie no samba (Kiko Ferreira, Estado de Minas, 15/06/2015)

"Tem + boogie woogie no samba" recupera onze temas, entre clássicos e raridades, que emulam o clima da época e ainda apresenta 'Astronauta no asfalto', um samba “falso antigo” (na definição de Nelson Motta) de Chico e Mário Adnet. Pai da moça, o segundo divide com ela a direção musical e os arranjos, além da convocação de um grupo de músicos de alta qualidade, como Marcos Nimrichter, Rodrigo Campello, Jorge Helder, Armando Marçal e Marcelo Caldi. Apoio mais do que eficiente para a voz pequena, mas segura de Antonia, que ainda convidou Roberta Sá, Alfredo Del-Penho e João Cavalcanti para garantir variedade vocal à empreitada.

O ar vintage do trabalho fica claro já na faixa de abertura, o sintomático 'Chiclete com banana' (Jackson do Pandeiro, Almir Castilho e Gordurinha), hit maior de Jackson do Pandeiro, que não pôde assinar a parceria na época, por problemas com editoras musicais. Nesta e na segunda faixa, 'Eu quero um samba' (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida), o destaque fica para os sopros que colorem os arranjos. Já em 'Cadê a Jane?' (Wilson Baptsia e Erasmo Silva) são o piano de Marcos Nimrichter e a voz de Pedro Paulo Malta que apimentam a narrativa. Gravada por Elza Soares como 'O samba está com tudo' e lançada por Araci de Almeida em 1957, 'Conversa de samba' (Denis Brean e Oswaldo Guilherme) celebra o ritmo brasileiro como prato principal de qualquer festa e traz o trompete de Aquiles Moraes defendendo o estatuto da gafieira.

(...) O disco termina com o falso antigo 'Astronauta no asfalto' e 'Adeus, América' (Haroldo Barbosa e Geraldo Jaques), deixando vontade de voltar à primeira faixa, preparar um gim com tônica ou um cuba-libre e viajar sem medo a tempos em que a música brasileira era mais alegre, sofisticada e deliciosamente dançante.


Mar Azul – Sons de Minas Gerais (Ailton Magioli, Estado de Minas, 08/06/2015)

Quarenta e três anos depois do lançamento do álbum seminal do movimento que fez história na MPB, é fato: muita coisa ainda pulsa no cancioneiro do Clube da Esquina, além das tão propaladas melodia e harmonia. Prova disso é 'Mar Azul – Sons de Minas Gerais vol.1', que será disponibilizado nesta segunda na internet. Os áudios estarão reunidos em um álbum disponibilizado com exclusividade na web pelo selo Slap, da gravadora Som Livre.

os veteranos Pedro Luís e Moska, se juntaram os novatos César Lacerda, Júlia Vargas, Silva, Maíra Freitas, Michele Leal, Lucas Arruda, Dani Black e João Bittencourt, além do grupo vocal Ordinarius. A ideia partiu de Fernando Neumayer e Luís Martino, sócios da produtora carioca Tocavideos. A dupla dirigiu os vídeos, quase todos filmados no Bituca Estúdio – com exceção de 'Reis e rainhas do maracatu', com Pedro Luís, rodado no Godofredo Bar, em Botafogo, que pertence a Gabriel Guedes, filho do compositor Beto Guedes.

“Estou maravilhado. Tudo cresceu no espaço e no tempo muito além de minhas expectativas. Sinceramente, não estava sabendo de mais essa iniciativa, que me emociona bastante. É um bom sinal pra gente saber que, em 43 anos de trabalho, deixou algo tanto para a nossa própria geração quanto para as novas gerações, que estão antenadas à nossa própria história”, afirma o compositor Márcio Borges, um dos principais letristas do Clube da Esquina, ao lado de Fernando Brant e Ronaldo Bastos.


Mauro Senise & Gilson Peranzzetta - Dois na Rede (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 06/06/2015)

Dois na rede é um show – nos dois sentidos da palavra – de música instrumental de temática brasileira, muito bem selecionada, interpretada em níveis de qualidade técnica e de intuição criativa só atingíveis por excelentesjazzmen. O show teve lugar no Espaço Tom Jobim, lá no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, na noite de 16 de outubro do ano passado. Senise e Peranzetta estavam também celebrando uma parceria de 25 anos,documentada em 11 CDs.

Peranzetta assina cinco das 12 faixas do show gravado ao vivo. São elas: a meio camerística Paisagem brasileira (6m10), Senise na flauta; Braz de Pina, meu amor (5m45), saudades do bairro carioca onde nasceu,com o saxofonista no soprano; Forrozim, um chorinho pra Zé Américo (4m55), o parceiro no sax alto e no flautim (piccolo); Bilhete pro Guinga (3m35), tão envolvente como as canções do destinatário, Senise no sax alto; a faixa-título Dois na rede (6m25), que o crítico Roberto Muggiati considera “o gran finale” do álbum, “emlevada de frevo, uma amostra viva do virtuosismo da dupla, que destaca a afinidade de Mauro com o flautim”.

As outras sete faixas têm como base melódica itens cativantes do cancioneiro pátrio. Mauro Senise sopra o seu irresistível sax alto em Deixa (6m50), de Baden Powell/Vinicius de Moraes; Aqui ó (5m10), de Toninho Horta/Fernando Brant;História de Lily Braun (7m25), de Edu Lobo/Chico Buarque). O soprano é o sax escolhido para Jura secreta (7m45), de Sueli Costa/Abel Silva e Só louco (Dorival Caymmi). A flauta usual é o instrumento ideal para o allegro vivace deZanzibar (5m40), de Edu Lobo. A flauta baixo é soprada por Senise na sussurrante Canção que morre no ar (7m), de Carlos Lyra/Ronaldo Bôscoli).

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