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Sal Mosca, um ilustre esquecido

O release da Sunnyside Records sobre o recém-lançado CD duplo póstumo "The talk of the town", do pianista Sal Mosca (1927-2007), é conciso e preciso: “Alguns artistas nunca recebem, em vida, o crédito que merecem. Alguns até se esforçam na busca de maior visibilidade, mas a maioria voa abaixo do radar,trabalhando sem pressa, do seu jeito, revelando o seu mundo, apenas, a verdadeiros aficionados ou afortunados ouvintes atentos. O pianista Sal Mosca foi, definitivamente, um destes últimos.

16/06/2015 - Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 13/06/2015

Um mestre da música que aperfeiçoou sua arte, e cuja obra permaneceu sem maior repercussão, até recentemente. A "Sunnyside Records" apresenta, com orgulho, um maravilhoso documento e um verdadeiro testamento dos talentos extraordinários do grande Sal Mosca, uma gravação ao vivo de uma performance de 14/11/1992, no respeitado Bimhuis de Amsterdã.

Quem nunca ouviu Sal Mosca – ou dele nunca ouviu falar – saiba que ele foi discípulo do genial pianista Lennie Tristano (1919-1978), cego desde os 9 anos, fundador de uma pequena e sofisticada “escola” da qual foram também alunos uns poucos escolhidos. Além de Mosca, os bens mais conhecidos Lee Konitz (sax alto), Warne Marsh (sax tenor) e Billy Bauer (guitarra).

Todos eles adotaram uma estética severa voltada para a estrutura harmônica do material temático, a melodia surgindo espontaneamente, porém como resultado de um processo de destilação harmônica. Mas sempre com aquele beat, aquele pulsar anímico que é a causa formal do jazz.

Da discografia inicial de Sal Mosca constam registros antológicos dos primeiros anos do chamado cool jazz, como as quatro faixas gravadas, em março de 1951, para a Prestige, pelo sexteto "Lee Konitz-Miles Davis" (mais Billy Bauer, Max Roach na bateria e Arnold Fiskin no baixo): "Ezz-thetic" e "Odjenar", de George Russell; "Hibeck", de Konitz; "Yesterdays", de Jerome Kern.

Em junho de 1955, o pianista estava ao lado de Konitz e Warne Marsh em celebrado LP da Atlantic (Lee Konitz with Warne Marsh) que mereceu as então raras cinco estrelas da revista Downbeat. Os outros músicos eram Billy Bauer, Oscar Pettiford (baixo) e Kenny Clarke (bateria). Eles deram vida nova a temas batidos como "Topsy" e "I can't get started", e interpretaram peças novas para a época como "Donna Lee"(Charlie Parker), "Two not one" (Tristano) e "Background music" (Warne Marsh).

A parceria Marsh-Mosca foi ainda documentada no álbum Warne Marsh Group (Discovery), contendo quatro faixas em duo, de 1979, e duas em quarteto (com Sam Jones, baixo; Roy Haynes, bateria), de 1977. No CD duplo agora lançado pela Sunnyside, o pianista é flagrado, solo, na noite de 14/11/1992, no hoje quarentão (e reformado) Bimhuis, o mais famoso jazz place da Holanda e um dos melhores da Europa.

São, ao todo, 11 faixas no primeiro disco e sete no segundo volume, totalizando quase duas horas de música. Os temas são quase todos bem íntimos dos jazzófilos, tanto os standards ("Sweet Georgia Brown", "Ghost of a chance", "Cherokee" e "I got rhythm", por exemplo) como os jazz originals ("Donna Lee" e "Scrapple from the apple", ambos de Charlie Parker).

Na segunda parte do álbum duplo "The talk of the town", há quatro medleys, dos quais o mais longo (19m35) envolve nada menos de oito gemas do American Songbook: "Stardust", "Dancing in the dark", "Too marvelous for words", "I cover the waterfront", "The talk of the town", "Somebody loves me", "I never Knew" e "Lullaby in rhythm".

(Cinco faixas do CD The talk of the town podem ser ouvidas, na íntegra, em http://sunnysidezone.com/album/the-talk-of-the-town)

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