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Os melhores momentos do Bourbon Paraty 2015

O dublê de jornalista e fotógrafo Paulo César Nunes foi o enviado especial do Clube de Jazz no Bourbon Paraty 2015. PC descreve com seu detalhismo e emoção as melhores passagens desse Festival que se tornou um dos melhores do Brasil no gênero Jazz & Blues.

Mike Stern, Vasti Jackson, Torcuato Mariano, André Vanconcellos & Jesse Sadoc, Arthur Maia, Marcelo Martins, Naná Vasconcellos e Lui Coimbra. (foto: Paulo César Nunes.)

05/06/2015 - Paulo Cesar Nunes

Conforme fiz nos últimos dois anos, zarpei cedo na sexta (29/05) para a cativante cidade histórica de Paraty no sul fluminense, onde anualmente se realiza o festival de jazz e blues, organizado pela equipe do Bourbon Street de São Paulo. Um cast realmente convincente nos fez deixar de lado o medo da chuva iminente prevista no Climatempo.

Sexta - 29/05

Logo na abertura Mike Stern arrasou no palco da Matriz com um set bastante inspirado, longos solos de todos os membros da banda, todos com muito brilho: Ritchie Morales na bateria, Timor Fel no baixo e Bob Francheschini no sax. Uma concessão pouco comum: Stern executou e cantou "Red House" de Jimi Hendrix e foi muito aplaudido. Depois do jantar, voltamos para a obrigatória e devastadora apresentação do guitarrista nativo do Mississippi, Vasti Jackson, com demolidora performance, tanto cantando como tocando furiosamente suas guitarras.

Apoiado por um grupo de primeira no qual brilhou a tecladista japonesa Keiko Komaki que não economizou nos solos, o chefe teve com ela alguns duelos , para delírio da platéia. Vasti Jackson fez uma bela homenagem a BB King, lembrando que o Rei estava sendo velado para a cerimônia do enterro no dia seguinte, e de seu repertório, tocou "The Thrill is Gone", um momento bastante sublime em seu maravilhoso set. Início do festival em noite espetacular.

Sábado - 30/05

O guitarrista Torcuato Mariano arrasou na abertura do palco Santa Rita, a começar pela escalação do seu fenomenal quinteto: Jesse Sadoc no trompete, André Vasconcelos no baixo, Cleverson da Silva na bateria e David Feldman no piano. Bastante a vontade e com um irretocável set list, Torcuato exibiu a técnica que o notabilizou em N participações e na produção de discos importantes da MPB, com belos solos e abrindo espaço para o timaço que levou de apoio. Sem nenhum pudor de fronteiras fez excelente homenagem a dois ídolos, Jeff Beck e Jimi Hendrix, dos quais tocou os temas "Because We've Ended as Lovers", que afirmou ter sido fundamental para a escolha do instrumento aos 14 anos e "Purple Haze", esta mesclada com tema de sua autoria, "Estação Paraíso". Maravilha de apresentação.

Depois subiram os nativos de New Orleans, o grupo Ella & Louie Tribute Band para um petisco do que fariam no palco principal na noite de encerramento. Fomos pro palco principal quando a Banda Mantiqueira já detonava tudo com sua costumeira fila de músicos virtuosos e belo repertório de clássicos da MPB adaptados para o formato orquestra.

Nos postamos para ver Nuno Mindelis e sua excelente banda formada pelo tecladista Flavio Naves, o baixista Bruno Falcão e o versátil baterista Fred Barley. Mesmo com grave problema em uma de suas guitarras logo nos primeiros acordes, Nuno superou e detonou o lotadíssimo espaço do palco da Matriz. A chuva e a superlotação não atrapalharam e o fogaréu que Mindelis e sua banda impuseram aqueceu todo o local. Mais uma homenagem a BB King, Mindelis lembrou a enorme influencia do Rei do blues nas carreiras de todos eles, e em vez de pedir um minuto de silencio pediu uma ovação ao BB King, no que foi prontamente atendido.

Depois dele a uma da manhã sobe ao palco a atração principal do festival, a superbanda da cantora Sharon Jones & The Dap-Kings, com várias levadas de soul e funk para entrada triunfal da diva, um set arrasador que contou com brilho de suas duas backing vocals, Starr Duncan e Saundra Williams. O guitarrista e mestre de cerimônias Franklin Stribling, que com o outro guitarrista Joseph Crispiano formou um duo francamente inspirado nas soul bands dos anos 70, mesmo ritmo, mesma onda. E o maravilhoso naipe de metais, é claro. Impressionante a energia de Sharon Jones, que por estes dias esteve demolindo em vários palcos pelo Brasil afora.

Domingo - 31/05

No domingo, começamos pelo palco Santa Rita com o duo inusitado formado pelo violinista francês radicado no Rio, Nicolás Krassik e o acordeom do sergipano Mestrinho, uma apresentação com forte sotaque nordestino. Já Krassik, andou estagiando pelo Nordeste para absorver a rabeca nos ritmos de lá. Pungente interpretação (não poderia ser de outra forma) de "Lamento Sertanejo" , de Dominguinhos, e uma animada versão de "Feira de Mangaio", de Sivuca e Glorinha Gadelha foram pontos altos dessa bela apresentação.

Depois com alguma chuva subiu ao palco o sexteto de Arthur Maia, sempre um timaço de músicos, com destaque para a guitarra de Fernando Caneca, a bateria de Di Stefano e o sax de Marcelo Martins. Começaram com "Abismo de Rosas", cuja melodia Maia leva seu baixo num quase solo, sempre um belo momento em suas apresentações, para depois agitar bastante o local com muito swing, como na balançada versão de "Brejeiro", de Ernesto Nazareth.

Plateia aquecida, a noite continuou no Santa Rita com os holandeses do The Jig e seu irresistível soul jazz. A banda, que já é habitué no Brasil, faz um som funkeado , levado por seu irrepreensível naipe de metais, o ritmo incessante da cozinha e alguma "sujeira" inserida pelo inspirado guitarrista Martijn Smit.

De noite zarpamos pro palco da Matriz ,todo mundo pressentia algo grande do imprevisível Naná Vasconcelos e já começou com as projeções de introdução no telão, acompanhadas por efeitos eletrônicos. Junto a seu set de percussão que vai destrinchando ao misturar ritmos nordestinos, efeitos eletrônicos e loopings de sua própria voz, Naná foi envolvendo a plateia num universo amazônico, tema de sua apresentação, chegando mesmo a reger a plateia numa "chuva" de palmas, simulando as torrenciais chuvas da floresta tropical.

Por sua vez Lui Coimbra fez números vocais que acompanhou com o cello, o violão e a rabeca. Destaque para um atrevimento inesperado: ele cantou "O Violêro", obra pinçada no universo do compositor sertanejo erudito Elomar, momento de rara beleza. Naná e Lui fizeram antológica apresentação que vai marcar por muito tempo a historia do festival de Paraty.

Para encerrar nossa participação no festival nos deliciamos com a competente performance da Ella & Louie Tribute Band, grupo de New Orleans que se dedica a um maravilhoso tributo à obra de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Eles já tinham dado o tom no dia anterior no palco Santa Rita mas deixaram o prato principal para a última noite , uma envolvente sucessão de hits dos homenageados com intenso brilho da cantora Eileen Dennis e do cantor e trompetista Leon Brown.

O grupo de apoio promoveu verdadeiro passeio pelos salões americanos dos anos 40 e 50, com ótimas apresentações do tecladista Leslie Martin, do guitarrista Josh Starkman, do baterista Ossie Davis e do contrabaixista e mestre de cerimônias Mitchell Player. Se há uma coisa que é perfeito nesse festival é o convênio que o Bourbon Street tem com a cidade de New Orleans, sempre com atrações espetaculares que elevam o nível da qualidade musical nas alturas. 1000 pontos!

De alma lavada, voltamos pro Rio. Já estamos aguardando a convocatória para o Bourbon Paraty 2016.

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