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SFJazz, Brahem, Jarrett, Corti, Atlântica e Daniel de Paula

SF Jazz, um dos maiores combos de jazz da atualidade apresenta seu tributo ao saxofonista Joe Henderson; o alaudista tunisiano Anouar Brahem apresenta seu primeiro cd duplo; Jarrett lança cd de 74 como se fosse atual; a escritora Berenice Corti apresenta seu trabalho sobre o jazz argentino; surge uma grande orquestra composta por alguns dos maiores instrumentistas do jazz brasileiro e surge um novo talento na rica safra dos jazzistas de São Paulo: Daniel de Paula.

10/04/2015 - Wilson Garzon

SF Jazz Collective - The music of Joe Henderson (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 28/03/2015)

Os atuais membros do SFJC são: Miguel Zenón (sax alto), o único do time original; David Sánchez (sax tenor); Avishai Cohen (trompete); Robin Eubanks (trombone); Warren Wolf (vibrafone); Edward Simon (piano); Matt Penman (baixo); Obed Calvaire (bateria). O recém-lançado álbum duplo SF Jazz Collective/ The music of Joe Henderson, gravado numa “residência” de quatro dias no SF Jazz Center, em outubro do ano passado, é focado naquele que foi um dos herois do sax tenor pós-bop, e também um inspirado compositor.

As oito composições originais de Joe Henderson e seus respectivos arranjadores são: Recorda-me, Zenón; A shade of jade, Edward Simon; Inner urge, Avishai Cohen; Fire, Obed Calvaire; Y todavia la quiero, David Sánchez; Afrocentric, Matt Penman; Black Narcissus, Robin Eubanks; Jinrikisha, Warren Wolf. Ou seja, cada membro do oiteto cooperativo teve a incumbência de escrever um arranjo de peça por ele escolhida do “livro” de Henderson. Do mesmo modo, cada um deles contribuiu com uma peça de sua lavra. A mais longa é Four stars from heaven (10m50), do vibrafonista Wolf. A suíte acima referida de Zenón dura um pouquinho mais de 10 minutos.

A extensão das faixas do CD duplo do SFJC - todas registros ao vivo - é resultante do espaço dado aos solistas dentro da moldura dos sofisticados arranjos. Em geral, as partes escritas são prólogos, interlúdios (ou acentuações) e epílogos. Os instrumentos percussivos (bateria, vibrafone e o piano de Edward Simon) atuam intensamente, sobretudo nas interpretações de Fire, Y todavia la quiero, na terceira parte de Synthesis of a band, e em Locura (este um momento bem free, que faz jus ao título da peça assinada por Simon).

Anouar Brahem - Souvenance (Eduardo Tristão Girão, Estado de Minas, 16/02/2015)

O tunisiano Anouar Brahem toca alaúde, um dos instrumentos que mais bem caracteriza a música árabe. Com ele gravou praticamente toda a sua discografia pela gravadora alemã ECM, que lançou centenas de trabalhos de gigantes como Egberto Gismonti e Keith Jarrett. Tornou-se um dos nomes de peso desse catálogo, sem pesar a mão no folclore: melodista primoroso, soube equilibrar a exuberância dos sons ancestrais de sua terra e elementos do jazz contemporâneo. Discos como "Astrakan café" (1999), "Thimar" (1997) e "Conte de l’incroyable amour" (1991) são pérolas e o recém-lançado Souvenance é, mais que o primeiro álbum duplo de sua carreira, seu trabalho mais ousado.

Da formação que o acompanhou no disco anterior, manteve Klaus Gesing (clarinete e saxofone soprano) e Björn Meyer (baixo elétrico), trazendo o pianista François Couturier, com quem já havia tocado em outros trabalhos. Além dos três, Brahem levou para o estúdio a Orchestra della Svizzera Italiana, regida por Pietro Mianiti. Como resultado, 11 faixas que somam quase 90 minutos de música bela, introspectiva e bem-arranjada, com a seção orquestral formando “ambiente” quase sempre delicado para as interações do quarteto.

Composições nasceram em meio a ondas de protestos, chefes de Estado sendo derrubados e o consequente clima de instabilidade na Tunísia e em outros países do Norte africano e do Oriente Médio. Talvez isso seja o motivo pelo qual muitas das composições de "Souvenance" carreguem tanta tensão e soem ora tristonhas, ora dramáticas. "Improbable day", faixa que abre o disco, é bom exemplo disso: cresce e segura o ouvinte até o final de seus 12 minutos para terminar como começou, quieta.


Keith Jarrett - Hamburg '72 (Kiko Ferreira - Estado de Minas, 22/02/2015)

Gravado ao vivo num workshop para a rádio estatal alemã, em 14 de junho de 1972, na NDR Funkhouse, durante a primeira excursão europeia do trio de Keith Jarrett, o disco capta os três músicos em pleno exercício de sua liberdade. Com 27 anos completados em maio daquele ano, o pianista já havia recrutado o saxofonista Dewey Redman para formar seu famoso quarteto americano, mas provava, ao vivo, que os três funcionavam muito bem juntos.

Da balada em clima de valsa ("Rainbow") ao free jazz selvagem e cru ("Piece for Ornette"), o CD de seis faixas antecipava um futuro sucesso ("Life, dance", só lançada no álbum 'Byeblue', de 1976), dava roupa nova à recente "Take me back" (de 'Expectation', de 1972), redimensionava "Everything that lives laments" (do álbum 'Morning of a star', do ano anterior) e fechava a noite com "Song for Che", de Haden, que havia provocado uma detenção pelo serviço secreto português, meses antes, quando foi tocada num festival de jazz em Cascais.

Temos aqui um encontro de jovens com alto nível técnico, exercendo um jazz feérico que destilava as influências de cada um. Haden, ex-baterista de Bill Evans, e Haden, ex-baixista da banda de Ornette Coleman, encontraram em Jarrett um chefe disposto a correr riscos em nome da liberdade – com direito a assumir o sax-soprano, a flauta e a percussão com desenvoltura. E reagiram à altura.

Berenice Corti - Jazz argentino: la música 'negra' del país 'blanco'(Material de divulgação)

Como se faz uma música que tem sido historicamente construída como "negra" em uma nação que tem sido caracterizada por negar a influência africana sobre a sua cultura? A partir desta questão, uma abordagem séria para a história e o presente do jazz na Argentina é feita através de entrevistas com músicos de diferentes gerações e estilos. Com um prefácio pelo renomado pesquisador na cultura popular Pablo Alabarces, este livro aborda tópicos que ligam a música popular com os processos de significação social, a miscigenação e identidade, sem ignorar os recentes debates sobre a cultura 'negra' local e o espaço que ocupa no chamado Atlântico Negro.

Berenice Corti é pesquisadora em música e cultura no Instituto de Investigación en Etnomusicología de la Ciudad de Buenos Aires e na Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad de Buenos Aires. É formada em Ciências da Comunicação, Mestre em Comunicação e Cultura e doutoranda em Ciências Sociais para a Área de Teoria Cultural da mesma faculdade.

Coordena o grupo de trabalho "Jazz en América Latina" da Asociación Internacional de Estudios en Música Popular (IASPM – Rama Latinoamericana) e integra a Comisión Directiva da mesma Associação (2012-2016). Bolsista do Fondo Nacional de las Artes (2013), Terceiro lugar no Concurso de Ensaios “Las industrias culturales en la Ciudad de Buenos Aires” (OIC- GCBA, 2007). Foi produtora musical de concertos em seu Jazz Club no Paseo La Plaza (1997-2000) e em outros espaços, como o Centro Cultural Konex (2002-2004).

Orquestra Atlântica - Orquestra Atlântica (Material de divulgação)

Foi a vontade de recriar a sonoridade das tradicionais orquestras do Rio de Janeiro com um toque contemporâneo, e de preencher uma lacuna deixada por elas, que surgiu a Orquestra Atlântica, que está lançando CD de mesmo nome. A produção musical e os arranjos levam a assinatura dos integrantes da Orquestra Marcelo Martins, Jessé Sadoc e Danilo Sinna. E o CD conta ainda com as participações especiais de Nelson Faria, Vittor Santos e Mauro Senise.

Com música brasileira executada de forma tradicional mas ao mesmo tempo moderna e com estilo bem peculiar, o grupo possui uma seção rítmica e de sopros que se assemelha a uma Big Band, e vem resgatar em seu primeiro CD, o som das grandes orquestras, com arranjos originais, passando por todas as tendências, incluindo, Bossa Nova, Samba Jazz, Standards da MPB e temas autorais.

O repertório tem músicas para matar a saudade como ‘Rio’ (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) que abre o CD, com sabor da bossa e do samba, e ‘Inútil Paisagem’ (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) um clássico da Bossa Nova; os stantards da MPB, a bossa balada ‘Nós’, composição de Johnny Alf e ‘Preciso aprender a ser só’ (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle); canções autorais de resgate do samba/choro com influências harmônicas do Jazz moderno como ‘De volta ao Rio’ de Marcelo Martins; e, também da nova safra, ‘Ponderações nº6’ composição inédita do convidado Vittor Santos e ‘A Viagem’ de Marcelo Martins, ambas inspiradas no Maestro Moacir Santos; entre outras.

Daniel de Paula - Daniel de Paula e a Irmandade (Material de divulgação)

Daniel de Paula, baterista que já tocou com nomes como Simoninha, César Camargo Mariano, Jair Rodrigues, Gal Costa e Luciana Mello, acaba de gravar seu primeiro álbum de carreira. O disco autoral, intitulado “Daniel de Paula e a Irmandade”, traz influências do jazz e da música brasileira e tem lançamento previsto para setembro de 2014.

A Irmandade é formada por músicos conhecidos na cena instrumental paulistana: Cássio Ferreira (sax-alto), Josué dos Santos (sax-tenor), Leandro Cabral (piano), Vinícius Gomes (guitarra) e Sidiel Vieira (baixo acústico), que o acompanharam em seu primeiro disco da carreira, onde Daniel é o responsável por todas as composições.

Natural de Cruzeiro, interior de São Paulo, Daniel cresceu em Santo André, SP. Começou a tocar bateria aos quatro anos de idade e mais tarde estudou piano erudito, além das aulas de harmonização e arranjo com Claudio Leal. Com apenas 12 anos iniciou sua carreira como músico profissional e a partir de então participou de gravações e dividiu o palco com grandes nomes como Wilson Simoninha, Cesar Camargo Mariano, Jair Oliveira, Jair Rodrigues, Gal Costa, Luciana Mello, Claudio Zoli, Fernanda Porto, entre outros.

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