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Barron & Holland + Chestnut + SF Jazz + Liebman

O Mestre LOC nos apresenta com sua pena de grande crítico que é, o que está surgindo de novidade nas prateleiras do jazz americano nesse período de outubro e novembro.

18/11/2014 - Luiz Orlando Carneiro

Dave Liebman - A tribute to Wayne Shorter (Jornal do Brasil, 18/10/2014)

Para mais esta homenagem àquele que Liebman considera “O” compositor de jazz do último meio século - comparando-o a Duke Ellington e Thelonious Monk, nas suas respectivas épocas - reuniu-se em torno do líder (no sax soprano) uma orquestra de 17 membros, sob a “condução” do também saxofonista Gunnar Mossblad. Os arranjos são do “professor” sueco Mats Holmquist. que gravou, em 2003, o muito elogiado A tribute to Chick Corea (Caprice Records). A big band tem oito metais (trompetes e trombones), cinco palhetas e seção rítmica de luxo (Vic Juris, guitarra; Jim Ridl, piano; Tony Marino, baixo; Marko Marcinko, bateria).

Das sete composições de Shorter selecionadas por Liebman para o novo CD, pelo menos três são joias do tesouro jazzístico: "Speak no Evil"(10m55) e "Infant Eyes" (6m40), registros originais no LP Speak no evil (Columbia, 1963); "Nefertiti" (9m25), do vinil do mesmo título (Columbia, 1967). As outras quatro são: "Yes or No" (10m05), de Juju (Blue Note, 1964); "El Gaucho" (9m25), de Adam's Apple (Blue Note, 1966); "Iris" (11m55), de E.S.P (Blue Note, 1965), LP do “segundo grande quinteto” de Miles Davis; "Black Nile" (8m10), do álbum Night Dreamer (Blue Note, 1964).

O sax soprano de Liebman flana por sobre a tessitura melódico-harmônica refinada e as variações rítmicas bem dosadas concebidas pelo arranjador Holmquist, um pouco à maneira impressionista do grande Gil Evans. Ou nelas se infiltra insidiosamente, em solos ou comentários, mas sempre integrado no todo orquestral. Dentre os sidemen, destacam-se como solistas o trombonista Tim Sessions e o guitarrista Vic Juris, em Yes or no, e Scott Reeves (flugelhorn), em Iris.

Kenny Barron e Dave Holland - The Art of Conversation (Jornal do Brasil, 25/10/2014)

Kenny foi o pianista predileto de Stan Getz (1927-1991) até a morte do saxofonista. O contrabaixista nascido na Inglaterra foi “descoberto” por Miles Davis, que o levou para os Estados Unidos, a fim de participar da gravação dos históricos álbuns fusionistas "In a Silent Way" (1969) e "Bitches Brew" (1969-70). Com confiança, respeito mútuo, virtuosismo sem exibicionismo, linguagem fluente a apurada, Barron e Holland elevam a um nível invulgar a “arte da conversação”, que veio ser o título perfeito para esse álbum.

O baixista assina quatro peças: "The Oracle" (6m10), bem dançante, com o tempo acentuado por uma figura em ostinato; as contemplativas "Waltz for Wheeler" (6m10) e "In Your Arms" (6m40); e "Dr. Do Right" (5m15), de tempero latino. O pianista é autor de três temas: "The Only One" (6m20), de andamento rápido, na linha do pós-bop, com discretas reverências a Thelonious Monk; a balada "Rain" (7m30), com o baixo de Holland em especial relevo; "Seascape" (6m05), no balanço do samba jazz. As três faixas restantes são recriações de "In walked Bud" (6m20), uma das composições mais bop e mais tocadas de Thelonious Monk; "Segment" (5m55), tema pouco conhecido de Charlie Parker; e da romântica "Day Dream" (7m35), de Duke Ellington-Billy Strayhorn.

Cyrus Chestnut - Midnight Melodies (Jornal do Brasil, 01/11/2014)

Os veteranos Victor Lewis (bateria) e Curtis Lundy (baixo) são os acompanhantes do pianista Chestnut nas 11 faixas do disco, selecionadas de sets de duas noitadas de novembro do ano passado. Ele aproveitou a oportunidade para reverenciar o subestimado John Hicks (1941-2006), que foi sideman de líderes do quilate de Art Blakey, David Murray, Arthur Blythe, e um dos mestres do teclado imortalizados na série de recitais (solo) Live at Maybeck Hall, documentada pela Concord Records entre 1989 e 1995. Três peças de Hicks estão em "Midnight Melodies": "Two Heartbeats" (4m50) e "Pocket full of Blues" (4m10), ambas em tempo rápido, no dialeto do bebop clássico; "Naima's Love Song", uma extensa performance (14m25) a partir de uma também longa introdução a cappella, naquela atmosfera que remete ao hinário gospel, fonte de inspiração permanente de Chestnut (Cf. CD Blessed quietness, Atlantic, 1996).

O líder do trio assina apenas a meditativa "To be Determined" (5m10), enquanto o baterista Victor Lewis é o autor de "Hey, it's me you're talkin' to" (7m15) – faixa em que exibe a sua arte nos tambores e pratos – e a romântica "I wanted to say" (8m30). Os standards jazzísticos escolhidos por Cyrus Chestnut para o álbum gravado ao vivo no Smoke são bem íntimos dos iniciados: "Bag's Groove" (6m55), o “carro-chefe” do vibrafonista Milt Jackson (1923-99); "Chelsea Bridge" (7m20) e "U.M.M.G." (8m30), de Billy Strayhorn (1915-67); "Giant steps" (6m35), de John Coltrane (1926-67), tratado pelo trio em ritmo de alucinante corrida de obstáculos.

San Francisco Jazz Collective - 10 (Jornal do Brasil, 08/11/2014)

O SFJC celebra agora 10 anos de atuação - registrada em outros tantos CDs - com o lançamento de um álbum de tiragem limitada, intitulado SFJazz Collective: 10. O atual plantel é formado por Miguel Zenón (o único fundador), David Sánchez (sax tenor), Avishai Cohen (trompete), Robin Eubanks (trombone), Warren Wolf (vibrafone), Edward Simon (piano), Matt Penman (baixo) e Obed Calvaire (bateria). Cinco desses músicos excepcionais não nasceram nem foram criados nos Estados Unidos, embora lá tenham se radicado. Zenón e Sánchez vieram de Porto Rico; Simon é venezuelano; Penman nasceu na Nova Zelândia; Cohen é israelense.

Há 10 anos, sempre na primavera do Hemisfério Norte, o SFJC cumpre o roteiro de criar, ensaiar, interpretar e gravar - além de composições de seus integrantes - arranjos de peças de uma grande figura do jazz moderno. No primeiro ano, o grupo dedicou-se à obra de Ornette Coleman. Nos anos seguintes, os ícones selecionados foram John Coltrane, Herbie Hancock, Thelonious Monk, Wayne Shorter, McCoy Tyner, Horace Silver e Chick Corea.

O CD comemorativo SF Jazz Collective: 10 foi gravado, ao vivo, no auditório do SF Jazz Center, em outubro do ano passado. Custa 10 dólares, e tem 10 faixas, das quais três são reinterpretações de arranjos do celebrado Gil Goldstein, que colaborou com o oiteto no período 2004-2006: "And what if I don't", de Hancock; "Moment's Notice", de Coltrane; "When will the blues leave", de Ornette Coleman. As outras faixas são as seguintes: "Alcatraz", de Dave Douglas; "Frosted Evils", de Matt Penman; "Visions", tema de Stevie Wonder, arranjo do vibrafonista Stefon Harris, ex-membro do grupo; "San Francisco Holiday", de Thelonious Monk, arranjo de Miguel Zenón; "Union", de Eric Harland, ex-baterista do SFJC; "Lingala", de Zenón; "More than meets the ear", do trombonista Robin Eubanks.

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