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Feldman, Senise, Microscopic 7 e Redman

A temporada de lançamento está em plena efervescência. Do Brasil duas grandes oportunidades se abrem: o pianista David Feldman apresenta "piano" e o saxofonista dialoga com "Danças". Da lavra do Mestre LOC, o Microscopic Septet com "Manhattan Moonrise" e o poderoso saxofonista Joshua Redman com "Trios Live".

10/09/2014 - Wilson Garzon

David Feldman - piano (Material de divulgação do cd)

David estreou em disco em 2009 com o elogiado ‘Som do Beco das Garrafas’, mas tudo começou quatro anos antes, quando, aos 27 anos, no palco do antigo ‘Mistura Fina’. Agora, aos 36 aos, ele se aprofunda em seu instrumento, fazendo um disco onde o piano reina absoluto, destacando seu lado compositor, apresentando temas originais e de grande lirismo. Das dez faixas, seis são autorais: "Chobim", "O Latido do Cachorro", "Sliding Ways", "Bad Relation", "Tetê" e "Esqueceram de Mim no Aeroporto". Fecham o CD músicas consagradas já e conhecidas do público, mas que ganharam uma roupagem harmonicamente admirável, como "Primavera" (Carlos Lyra), "Conversa de Botequim" (Noel Rosa), "Sabiá" (Antônio Carlos Jobim), e "Tristeza de Nós Dois".

Em "Primavera", é possível constatar sua sutileza e elegância musical, uma interpretação romântica, sem excessos, onde em certo momento o pianista passeia pelo universo de clássicos como Debussy. E essa elegância pode ainda ser apreciada em faixas como "Tetê", "Sabiá" e "Chobim" - sua primeira composição autoral revelada no disco, onde mostra ao que veio como compositor, homenageando dois grandes marcos da música ocidental: Chopin e Jobim.

Em "Conversa de Botequim", onde o pianista mostra seu lado ‘brincalhão’, fazendo um duo consigo mesmo, com um piano respondendo ao outro. O mesmo se dá em "Esqueceram de mim no Aeroporto", onde um instrumento reage ao outro, respondendo e às vezes debochando, mantendo assim, o espírito dos grandes jazzistas americanos, cujo lema era sempre se divertir.

Mauro Senise - Danças (Roberto Muggiati, para o selo Biscoito Fino)

O título – e o conceito – de "Danças", me despertou bruscamente para um aspecto da música de Mauro Senise que sempre esteve ali: o seu espírito dançante. Já de saída, embala em puro tom de jazzfieira, com o pianista Gilson Peranzzetta, "Vou deitar e rolar" (Baden e Paulo César Pinheiro). Peranzza – irmão gêmeo musical e espiritual de Mauro há 24 anos – toca também em "Miles" (de Sueli Costa), e assina "Casa de Marimbondo" (sax e piano) e Levitando, em que ataca de acordeão, seu primeiro instrumento. "Marimbondo" e "Levitação" têm tudo a ver com a atmosfera etérea desse CD, assim como as cordas da Orquestra dos Sonhos, no arranjo de Peranzzetta para "Miles".

A Orquestra ainda em "Ilusão à tôa" (Johnny Alf), com arranjo de Jota Moraes, e "Noite de verão" (Edu Lobo e Chico Buarque), com arranjo de Cristóvão Bastos. Cristóvão conversa com Mauro no plangente duo piano-flauta Choro dos mestres e em Sem palavras, ambos de sua autoria. Antônio Adolfo – antigo vizinho de Mauro no Alto Jardim Botânico – hoje morando nos Estados Unidos, foi “fisgado” numa esquina do Rio para gravar o seu Chorosa Blues. Temos de volta seu belo piano e um solo de guitarra premiado de Leonardo Amuedo.

Jota Moraes, outro veterano companheiro de estrada de Mauro, assina a valsinha "Garoto de POA", um duo vibrafone-sax soprano, e "Menino de Guaxupé", dedicado ao gênio trágico do saxofone, José Godinho Filho, o Casé, outro duo vibrafone-soprano, temperado pela cozinha mágica do percussionista Mingo Araújo. Jota aparece na primeira faixa do DVD em "Garoto de POA". O CD é generoso em tempo (1h16m19s), mas o DVD, com 24m24s não é menos generoso na síntese admirável que faz de música, dança e cinema – e fotografia, notavelmente, um preto-e-branco com todos os tons imagináveis de cinza, emulando mestres da foto do jazz como Herman Leonard e Gjon Mili.

Microscopic Septet - Manhattan Moonrise (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 23/08/2014)

O Microscopic Septet tem como líderes, compositores e arranjadores o saxofonista soprano Philip Johnston e o pianista Joel Forrester, que até gostam de adotar o título de “a mais famosa banda desconhecida de Nova York”. orrester & Johnston, os também saxofonistas Don Davis (alto), Mike Hashim (tenor) e Dave Sewelson (barítono), Richard Dworkin (bateria) e David Hofstra (baixo) “atacam” novamente com o CD Manhattan moonrise (Cuneiform). Só que, desta vez, as 12 peças do menu são de autoria dos dois chefs do conjunto.

O pianista Forrester assina oito delas, inclusive a faixa-título - a mais longa do disco (8m10), que remete aos tempos do swing, mas acolhe excêntricos espasmos – e "Blue" (4m10) – quase que totalmente free, naquele clima sonoro conturbado típico da música de Albert Ayler. Já em "Occupy your Life" (5m15), Forrester usa aquele tema inesquecível do allegretto da 7ª Sinfonia de Beethoven como ponto de partida.

O saxofonista Johnston escreveu quatro faixas, com destaque para: "Obeying the Chemicals" (3m20), decididamente free-funky; "Let's Coolerate" (5m10), baseada em swinging riffs, e contendo um daqueles solos hard stuff não recomendados para ouvidos românticos do sax barítono Sewelson; "You got that right" (4m55), um blues muito cativante, com ótimos solos.

Joshua Redman - Trios Live (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 02/08/2014)

A etiqueta Nonesuch acrescenta agora à discografia do saxofonista um registro muito especial, intitulado "Trios Live" – quatro faixas captadas em apresentações no clube Jazz Standard, de Nova York, em 2009, e três gravadas, em fevereiro do ano passado, no Blues Alley, de Washington. Os trios têm, como acólitos, o baterista Gregory Hutchinson e os baixistas Reuben Rogers (no Blues Alley) e Matt Penman (no Jazz Standard).

No novo CD Trios Live, as faixas mais recentes, ao vivo, no Blues Alley, são: a clássica balada "Never let me go" (6m35), com direito a uma coda tão envolvente como a melodia; "Act Natural" (12m25), original do saxofonista tenor, e a performance mais longa do disco; "Soul Dance" (6m30), tema também de Joshua, baseado em sete notas, que são desenvolvidas no sax soprano até um ápice coltraneano.

Das quatro faixas registradas no Jazz Standard, há cinco anos, apenas a original "Mantra #5" (7m35), com introdução a capella, é tocada no sax soprano, aquecida depois pela fervilhante e sempre notável bateria de Gregory Hutcherson. As outras três são recriações, no sax tenor, de "Moritat/Mack the knife" (12m), de Kurt Weill; de "Trinkle, Tinkle" (5m55), de Thelonious Monk; e de "Ocean" (6m35), do grupo Led Zeppelin. Estas duas últimas faixas, ritmicamente assimétricas, têm tratamento particularmente free, e empolgam a assistência do clube novaiorquino.

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